Recolocada placa que indica local de antigo centro de tortura da Ditadura Militar em Porto Alegre


Peça instalada em 2015 foi removida por atuais proprietários do imóvel, sem autorização. Dopinho, em alusão ao DOPS, funcionou entre 1964 e 1966, sendo o primeiro centro de tortura do Regime Militar. Placa recolocada em frente a antigo centro de tortura em Porto Alegre
Maria Emília Portella/SMDS/PMPA/Divulgação
Uma placa que sinaliza a localização de um centro de tortura da Ditadura Militar foi reinstalada, nesta quinta-feira (29), em Porto Alegre. O local, conhecido como Dopinho, em alusão ao Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), ficava na Rua Santo Antônio, no bairro Bom Fim.
A placa foi colocada em 2015, mas acabou removida pelos atuais proprietários do imóvel. Após um inquérito aberto pelo Ministério Público, foi feito um acordo para a reinstalação da peça.
O espaço foi considerado o primeiro centro clandestino instaurado pela Ditadura Militar, logo após abril de 1964. O presidente do Movimento por Justiça e Direitos Humanos, Jair Krischke, lembra que o Dopinho foi fechado após a descoberta de um assassinato cometido pela repressão no local. Leia mais sobre o caso abaixo.
“O Dopinho foi fechado em setembro de 1966, após a descoberta do assassinato do sargento Manoel Raimundo Soares, que ficou conhecido como ‘caso das mãos amarradas'”, disse.
Representantes da prefeitura de Porto Alegre e da Câmara Municipal participaram do ato de colocação da placa. Um projeto, batizado de “Marcas da Memória”, sinaliza nove lugares da Capital que serviam como centros de detenção do Regime Militar.
Na época da investigação, a promotora Ana Marchesan afirmou que os proprietários alegaram que um idoso quase se machucou ao passar pelo local, devido a avarias na placa. Como o imóvel é inventariado, qualquer modificação no objeto deveria ter sido comunicada previamente.
Em 2020, placa foi retirada e espaço foi concretado na frente do local onde funcionou o Dopinho, em Porto Alegre
Agência RBS/André Ávila
Texto da placa
“Primeiro centro clandestino de detenção do Cone Sul. No numero 600 da rua Santo Antônio, funcionou estrutura paramilitar para sequestro, interrogatório, tortura e extermínio de pessoas ordenados pelo regime militar de 1964. O major Luiz Carlos Menna Barreto comandou o terror praticado por 28 militares, policiais, agentes do Dops e civis, até que apareceu no Guaíba o corpo com as mãos amarradas de Manoel Raimundo Soares, que suportou 152 dias de tortura, inclusive no casarão. Em 1966, com paredes manchadas de sangue, o Dopinho foi desativado e os crimes ali cometidos ficaram impunes.”
O caso das mãos amarradas
Conforme a professora de História da PUC-RS, Tatyana Maia, o Dopinho foi “o primeiro centro clandestino na América do Sul, onde vários tipos de tortura aconteceram”.
O espaço foi fechado em setembro de 1966 após a descoberta do assassinato do sargento Manoel Raimundo Soares, que ficou conhecido como “caso das mãos amarradas”.
“Ele se opôs à ditadura. Fazia parte de um grupo que veio a Porto Alegre para iniciar um movimento da resistência. Foi preso em 1966 e, em agosto, desaparece. O corpo aparece boiando no Rio Jacuí”, contou Krischke ao G1 em 2020.
O governo estadual da época nomeou uma comissão para investigar a morte de Soares. O inquérito levou à descoberta do Dopinho, onde majores, delegados de polícia e pessoas que se infiltraram no movimento estudantil atuavam em favor da Ditadura Militar.
A criação de centros clandestinos se disseminou por outras capitais e também foi adotada por ditaduras da América Latina. A inspiração para o sistema veio das táticas de guerra francesa, usando a tortura para obter informações e derrotar inimigos.
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