Reciclador de lixo de 16 anos ganha bolsa de estudos de gastronomia em Porto Alegre


Roque Júnior Tavares recebeu a oportunidade de voltar a estudar e fazer curso para chef de cozinha na Fundação Pão dos Pobres. ‘Estudar é o foco’, resume o adolescente. Reciclador de lixo de 16 anos ganha bolsa de estudos de gastronomia em Porto Alegre
O adolescente Roque Júnior Tavares, de 16 anos, abandonou os estudos para trabalhar como reciclador de lixo e ajudar a mãe no sustento da família, em Porto Alegre. Comovida com a história, a Fundação Pão dos Pobres decidiu oferecer uma bolsa de estudos em gastronomia e ajudar o jovem a ser chef de cozinha.
A coordenadora dos cursos profissionalizantes da Fundação Pão dos Pobres, Simone Quadros, diz que uma empresa vai fornecer também meio salário e vale-transporte para quando o curso for presencial.
“Ele vai ser contratado na modalidade jovem aprendiz”, explica.
Roque Júnior decidiu trabalhar com reciclagem para manter a renda de R$ 150 semanais que a mãe Nely, de 44 anos, conseguia no lixão. Trabalho que deixou marcas em ambos.
“Peguei infecção pulmonar. Eu peguei esses negócios na minha mão e uma bactéria no meu dedo. O médico me proibiu de mexer no lixo”, diz a mãe.
“É um trabalho duro, duro, trabalho de dor todo o dia. Dor no corpo, dor na alma de trabalhar na reciclagem”, comenta o filho.
Roque Júnior Tavares, de 16 anos, abandonou os estudos para trabalhar como reciclador de lixo e ajudar a mãe
Reprodução/RBS TV
As mãos que passaram os últimos meses mergulhadas nos enormes sacos de lixo reciclável vão voltar a pegar a caneta e o livro de estudos. Roque vai trocar o lixão pelo curso de gastronomia pela manhã e, à tarde, retoma os estudos no 6º ano do ensino fundamental.
“Já conseguimos escola para ele, já fizemos a identidade dele. Eu vou ajudar ele até o final porque sei que ele vai ficar bem. Está muito feliz”, comenta Simone.
Na região das ilhas, onde fica a reciclagem em que Roque trabalhava, vivem mais de 8 mil pessoas, segundo o censo do IBGE de 2010. O exemplo dele retrata as dificuldades de muitas famílias que vivem com meio salário mínimo ou com menos de R$ 246 reais por mês. Mas ele não deixa de sonhar alto.
“Imagino trabalhar no meu restaurante, ter o meu espaço. Nunca desisti do meu objetivo. Claro, a batalha é grande. Se a gente persistir, a vitória é maior ainda. Sempre lutar, nunca entrar no caminho errado e continuar estudando. Estudar é o foco”, resume o adolescente.
Os amigos da reciclagem torcem pelo sucesso dele, e também pensam em alcançar seus objetivos. “Meu sonho eh poder trabalhar e adquirir minhas coisas, ter um futuro melhor para os meus filhos, ser um exemplo para eles”, afirma a recicladora Jenifer de Oliveira.
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