Quatro pacientes com Covid-19 vindos de Rondônia são transferidos para a UTI em hospitais de Porto Alegre

Dos 18 que chegaram ao RS esta semana, um teve alta e os demais seguem em leitos clínicos. Instituições investigam se infecção é de uma variação na tipagem do coronavírus. Quatro pacientes com Covid-19 vindos de Rondônia são transferidos para UTIs no RS
Quatro pacientes com Covid-19 que vieram de Porto Velho, em Rondônia, para hospitais do RS, precisaram ser transferidos para as unidades de tratamento intensivo (UTI). Os três pacientes que foram transferidos para a UTI do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) são do primeiro grupo, que chegou na quarta-feira de madrugada (27).
O quarto foi transferido dentro do Hospital Conceição, não precisou ser intubado, mas está com o auxílio de máscara de oxigênio. No total, 18 pessoas foram transferidas para o estado, nesta semana.
Os demais permanecem em leitos clínicos, sendo que dois têm previsão de sair em 48 horas e um já chegou a ter alta hospitalar.
“É fato que esses pacientes precisam de oxigênio. Todos estão com oxigênio suplementar, e é isso que está fazendo a diferença na recuperação desses pacientes. Muito provavelmente se eles continuassem na suas cidades de origem, sem a oferta de oxigênio, eles teriam um desfecho negativo quanto à evolução da doença”, diz André Luiz Machado, infectologista do Conceição.
Nova variante
Todos os pacientes fizeram o exame RT-PCR, que identificou o vírus e confirmou a infecção para a Covid-19. Agora, o HCPA fará feito o sequenciamento genético do coronavírus para saber se os doentes que vieram de Rondônia foram infectados pela nova variante. As análises devem começar na segunda-feira (1º), e os resultados ficam prontos em até quatro dias.
“Eles estão em isolamento dos demais pacientes. A nossa preocupação em sequenciar o vírus não é só acadêmica. Algum profissional que esteja trabalhando com esses pacientes, mesmo eles usando equipamentos de proteção individual, se tiver algum tipo de contaminação, a gente pode entender e proceder com outras medidas”, explica Beatriz Schaan, coordenadora do grupo de enfrentamento ao coronavírus do HCPA.
A mutação do coronavírus foi descoberta depois que turistas japoneses retornaram de viagem que fizeram para Manaus. Na capital do Amazonas, nesta quinta (28), 79 pessoas morreram por causa da Covid-19. O pico foi no dia 14 de janeiro com 105 mortes.
Segundo a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o novo subtipo do coronavírus, que foi chamado de P1, já está em 91% das amostras de vírus sequenciadas no Amazonas. Isso significa que a velocidade da transmissão é muito alta.
“Todos os resultados que temos até agora baseado com outras variantes indicam que ela é mais transmissível, mas a maior letalidade ainda está em estudo. A gente não tem como afirmar agora que ela seja mais letal. Mesmo no sistema de saúde que tem a maior vigilância genômica do mundo, que é o inglês, quando detectou, ele já estava no país inteiro. Eu não me surpreenderia se nós tivermos outros lugares do país, outros estados com essa variante circulando”, afirma o vice-presidente de Pesquisa da Fiocruz Amazônica, Felipe Naveca.
Os pesquisadores estão investigando se a imunidade provocada pelas vacinas é capaz de neutralizar essa nova variante do coronavírus. Moradores do Sul do Amazonas estão sendo atendidos em Porto Velho, onde a presença da mutação do vírus ainda não foi detectada.
A Secretaria de Saúde do RS garante que os cuidados foram redobrados nesse processo.
“Foram tomadas todas as medidas de contato. As vigilâncias e centros de infecção dos hospitais tiveram cuidado de deixar esses pacientes separados dos outros. Eles não foram para uma ala Covid comum, eles foram para uma ala Covid própria, até que se tenha a avaliação do vírus, genotipagem, para que tenha noção se a cepa é endêmica aqui no estado ou não”, diz Cynthia Goulart, diretora do Centro Estadual de Vigilância em Saúde.
Eles foram examinados na saída da capital rondoniense e, durante a viagem, foram monitorados por médicos e passaram por nova avaliação dentro do avião na chegada a Porto Alegre.
“A sua transmissibilidade está diretamente associada ao início dos sintomas. Nós já recebemos pacientes com 10, 12 dias de evolução, e a probabilidade de eles transmitirem é bem menor do que aquele indivíduo que foi a uma viagem de trabalho ou de passeio para a região Norte, se contamina e retorna pro seu estado”, observa André.
“Eles não vieram com familiares, que esses sim são os potenciais disseminadores do vírus, quando ficam em contato com paciente e entram e saem do hospital”, acrescenta Beatriz.
A transmissão da nova variante do coronavírus também é combatida com uso da máscara, higienização constante das mãos e evitando aglomerações. A Secretaria de Saúde orienta que a população evite ou redobre o cuidado ao viajar.
“A ideia é que em um momento pandêmico, que tem um vírus com capacidade de mutação grande, quanto menos rodar melhor. Não importa se viajar é ir para uma cidade do interior diferente ou ir para Manaus. A ideia é diminuir o trânsito, o contato de pessoa a pessoa e com grupos diferentes”, alerta Cynthia.
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