Pesquisa indica que medicamento para artrite não é eficaz contra Covid-19


Estudo foi publicado no British Medical Journal nesta quarta-feira (20). Pesquisadores avaliaram se medicamento, aliado a tratamento padrão, teria algum efeito em pacientes graves da doença. Descoberta fará parte de metanálise da OMS sobre a substância. Imagem criada pela Nexu Science Communication em conjunto com o Trinity College, em Dublin, mostra um modelo estruturalmente representativo de um betacoronavírus, que é o tipo de vírus vinculado ao COVID-19, mais conhecido como coronavírus vinculado ao surto atual.
NEXU Science Communication/via REUTERS
Um estudo realizado por hospitais de Porto Alegre e São Paulo junto com instituições de pesquisa constatou que um medicamento utilizado normalmente para tratar artrite não apresentou eficácia para combater a Covid-19 em casos graves.
A pesquisa foi publicada nesta quarta-feira (20) pelo British Medical Journal.
A chamada Coalizão Covid-19, formada por Hospital Israelita Albert Einstein, HCor, Hospital Sírio-Libanês, Hospital Moinhos de Vento, Hospital Alemão Oswaldo Cruz, BP – A Beneficência Portuguesa de SãoPaulo, o Brazilian Clinical Research Institute (BCRI) e Rede Brasileira de Pesquisa em Terapia Intensiva (BRICNet), avalia a eficácia de diferentes medicamentos no combate à doença.
O mesmo grupo é responsável por um dos estudos que apontou que a hidroxicloroquina não tem efeito no tratamento da doença, publicado em julho do ano passado.
A pesquisa publicada agora avaliou o uso do tocilizumabe, que tem a propriedade de inibir processos inflamatórios, como a artrite.
A hipótese testada era de que o remédio poderia amenizar quadros de Covid-19, que causam respostas inflamatórias exacerbadas, conforme a coordenadora da UTI do Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo, Viviane Cordeiro Veiga, uma das autoras do estudo.
O estudo, porém, constatou que houve aumento de óbitos entre pacientes que receberam o tocilizumabe, aliado ao tratamento padrão, em relação ao grupo que realizou apenas o tratamento padrão. Por segurança, a pesquisa foi interrompida.
O mesmo medicamento foi testado em outros países e apresentou resultados positivos. Com isso, os dados levantados pela coalizão passarão por uma análise, realizada pela Organização Mundial da Saude (OMS).
“Qual é a grande dúvida: ele [o medicamento] tem algum papel de benefício no paciente de Covid? E se tem, tem algum grupo de pacientes que teria benefício em usá-lo?”, diz Viviane.
Como foi o estudo
Participaram da pesquisa 129 pacientes com Covid-19, entre maio e julho de 2020, internados em hospitais brasileiros, em estado grave ou crítico. A média de idade era de 57 anos.
Eles foram divididos entre dois grupos. Um recebeu o tomicilizumabe associado ao tratamento padrão, e outro, apenas o tratamento padrão.
Em 15 dias, 11 pessoas (17%) entre os pacientes que receberam o medicamento morreram, com quadro de insuficiência respiratória aguda ou disfunção de múltiplos órgãos relacionado à Covid-19.
Já entre o grupo de controle, que não recebeu o remédio, duas pessoas (3%) morreram no período. A pesquisa foi interrompida por orientação do comitê independente de avaliação.
“A gente avaliou todos os óbitos [de ambos os grupos] e também foi para o comitê independente. Não teve nenhum efeito diverso específico da droga que possa ter sido identificado”, diz Viviane. Por isso, a hipótese do medicamento ter relação com as mortes é descartada, segundo a médica.
Viviane observa que, considerando um período maior, de 28 dias, não foram registrados mais óbitos nem infecções secundárias nos dois grupos.
Diferentes grupos da Coalização Covid-19 trabalham em estudos de outros medicamentos, como rivaroxabana e drogas antivirais para combate do coronavírus.
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