Ocupação de leitos de UTI cai abaixo do nível crítico no RS, mas segue alta em Porto Alegre


Capital opera com 87% da capacidade, enquanto que, na média do estado, está em torno de 79%. Especialistas alertam que momento ainda é de atenção com a pandemia. Mesmo com taxa de ocupação de UTIs abaixo de 100% especialistas seguem alertas no RS
A taxa de ocupação dos leitos em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) nos hospitais do Rio Grande do Sul ficou abaixo de 80% — nível considerado crítico pela Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz) — pela primeira vez desde fevereiro nesta sexta-feira (7). No fim da tarde, havia 2.692 pacientes para 3.382 vagas, segundo a Secretaria Estadual da Saúde (SES).
Porém, em Porto Alegre, o índice girava em torno de 87%, segundo a Secretaria Municipal da Saúde (SMS). O número está no mesmo patamar de fevereiro. Eram 448 pacientes internados em UTI com suspeita ou confirmação para a Covid-19. Em cinco hospitais, as unidades operam acima do limite.
RS tem 1 milhão de casos confirmados de Covid-19
No Hospital Conceição, um dos que é referência para tratamento da doença na Capital, já não é mais preciso usar as salas de recuperação como UTI. O hospital reduziu o número de leitos de terapia intensiva, de 87 para 75, mas segue com a unidade lotada.
“A UTI está com 43 pacientes Covid e 32 não Covid. Estamos próximos do nosso limite, mas isso é natural que aconteça. O que está se observando é que está caindo o número de pacientes Covid e aumentando o número de pacientes não Covid”, diz Francisco Paz, diretor-técnico do Grupo Hospitalar Conceição.
O diretor explica que existe a potencialidade de aumentar o número de leitos, mas que, no momento, não existe a necessidade de manter aberta uma estrutura considerada cara.
“Tu tens que sempre trabalhar numa avaliação diária dos teus limites. O leito de UTI custa caro, não só por causa dos aparelhos, mas ele mobiliza equipes muito grandes. À medida que essa demanda vai diminuindo, a gente vai usando as equipes para outras atividades dentro do hospital”, completa.
Ter uma ocupação mais baixa, segundo Beatriz Schaan, coordenadora do comitê de enfrentamento à Covid no Hospital de Clínicas (HCPA), é fundamental para que os doentes recebam os cuidados no tempo certo. A UTI do HCPA estava em 74% de ocupação nesta sexta.
“Quando a gente recebe um paciente mais grave, a gente consegue protamente transferir ele para a CTI, que é o cenário ideal. Apesar dessa situação tranquila, a gente ainda tem 107 pacientes com Covid. Isso é um número muito grande, visto que nós temos, no hospital 800 leitos. Uma única doença ocupando 100 dos 800 locais que temos disponível é um patamar alto”, alerta.
Ocupação de leitos de UTI chegou a 79%, nesta sexta-feira (7), no RS
Reprodução/RBS TV
Baixa ocupação não significa normalidade, alertam especialistas
Os especialistas alertam para a forma como olhar para a taxa de ocupação nos hospitais. Isaac Schwarzhaupt, coordenador da Rede Covid, acredita que analisar o número de internações e novos casos pode ser mais importante que as ocupações para o controle da pandemia.
“O ideal seria nem analisar a ocupação em si. Na verdade, a gente teria que analisar a velocidade de novas internações. Se a gente tiver aumento de novas internações, independentemente da ocupação, se as internações de confirmados para Covid vêm aumentando numa velocidade cada vez maior, isso é um sinal de alerta. Se a gente pegar nos últimos 50 dias e ver a velocidade desses casos, a gente percebe que aconteceu aquilo, a queda acelerou e ela ja está estável. A estabilização pós-queda sempre é um risco maior de aumento”, observa.
Pelas análises da Rede Covid, o que está acontecendo agora nos hospitais, com ocupações mais baixas, é reflexo da queda de casos de semanas atrás. O número de mortes é o ultimo indicador a sofrer algum impacto com medidas de restrição. Por isso, os óbitos demoram mais ainda a cair.
Neste momento da pandemia, a queda nas novas internações começa a ficar mais lenta, o que serve de alerta.
“A gente está vendo a velocidade da queda desacelerando. Não está que nem os casos, que já estabilizaram. Ainda está um pouquinho queda, mas uma queda que está desacelerando. E isso preocupa, porque significa que ainda tem muitas pessoas doentes, muitas pessoas piorando e necessitando de internação hospitalar. Isso é um alerta. A gente não deve agora aumentar mobilidade, achar que está tudo tranquilo. A situação está muito arriscada”, diz Isaac.
E para que a doença fique sob controle, cada um precisa continuar com os cuidados que a gente já conhece há um ano.
“É muito importante isso, que a gente consiga manter as atitudes de prevenção de forma adequada. Não nos enganemos com a história da vacina. Estando vacinados, estamos mais seguros, mas não estamos totalmente resolvidos”, conclui Francisco.
Paciente em leito de UTI em hospital do Rio Grande do Sul
Reprodução/RBS TV
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