Moradores do RS com dupla nacionalidade se vacinam contra a Covid no Uruguai


País vizinho já vacinou 27% da população e abriu imunização para pessoas com idade entre 18 e 70 anos. Especialista afirma que ritmo da vacinação no Brasil é lento. Brasileiros com dupla nacionalidade recebem vacina contra a Covid no Uruguai
Moradores da Região da Fronteira do Rio Grande do Sul com o Uruguai estão buscando o país vizinho para se vacinar contra o coronavírus. O governo local autorizou a vacinação de pessoas com idade entre 18 e 70 anos, enquanto, no Brasil, ainda são imunizados idosos na faixa de 60 anos.
O município de Jaguarão, a 388 km de Porto Alegre, já vacinou 4,9 mil moradores, entre profissionais de saúde e idosos com mais de 62 anos.
Residente na cidade, a artesã e servidora pública Thiara Gonzalez Oliveira, de 32 anos, foi uma das que cruzou a fronteira para se imunizar mais rapidamente. Ela e a irmã, filhas de uma uruguaia, se vacinaram na cidade de Rio Branco.
“Provavelmente não conseguiria me vacinar no Brasil tão cedo pela minha faixa etária”, disse.
Para poder se vacinar no outro lado da fronteira, brasileiros precisam encaminhar documentos que comprovem vínculo com o Uruguai ao Ministério da Saúde do país vizinho. Confirmada a cidadania, o órgão envia dados do local e da data de aplicação da dose.
Moradores de Santana do Livramento cidadania uruguaia tomam vacina contra a Covid
O Uruguai iniciou a vacinação em março e, até agora, 789 mil pessoas já receberam primeira dose do imunizante, o equivalente a 27% da população, segundo o governo. No Brasil, a campanha começou em meados de janeiro, tendo vacinado 21,4 milhões de brasileiros, 10% da população.
Na avaliação do epidemiologista Pedro Hallal, professor da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), os dados revelam que o ritmo do Brasil é lento em comparação ao país vizinho.
“O ritmo da vacinação no Brasil tá muito lento. O Brasil tem vacinado cerca de 1 milhão, 1 milhão e meio de pessoas por semana e precisaria estar vacinando 1 milhão, 1 milhão e meio por dia. O Uruguai, por outro lado, mesmo tendo começado um pouco depois, está num ritmo de vacinação quatro vezes maior do que o Brasil quando a gente considera o tamanho da população”, considerou.
Outra moradora de Jaguarão, a professora Fabiane Metzger Techera de Melo, de 52 anos, tomou a primeira dose do imunizante no Uruguai. No RS, ainda não há previsão para a vacinação de educadores.
“É com satisfação que eu já recebi essa dose, sabendo que o Brasil tem etapas diferentes do Uruguai. Nos deixa muito contentes em saber que já estamos imunizados e estamos a menos de 20 dias pra fazer a segunda dose”, comemorou.
O Uruguai está preocupado com a variante brasileira do coronavírus. Por isso, as fronteiras seguem parcialmente fechadas, apenas com fluxo de uruguaios e estrangeiros residentes no país.
Fronteira do Brasil com o Uruguai, em Jaguarão
Reprodução/RBS TV
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