Insumos do 'kit intubação' têm alta de até 467% e hospitais temem desabastecimento no RS


Segundo Federação das Santas Casas, aquisição dos produtos demanda mais da metade dos recursos disponibilizados pelo Ministério da Saúde. Governo do estado estuda compra emergencial de medicamentos. Paciente intubado na UTI do Hospital de Clínicas em Porto Alegre no dia 2 de março de 2021
Silvio Avila/HCPA/Divulgação
Insumos utilizados na intubação de pacientes internados em UTIs tiveram alta de 33% a 467% nos preços entre 2020 e 2021, conforme levantamento da Federação das Santas Casas do Rio Grande do Sul (veja tabela abaixo).
Diante dos valores elevados e da baixa oferta do chamado “kit intubação”, composto por sedativos, relaxantes musculares e anestésicos, hospitais do estado temem o desabastecimento das unidades.
Na avaliação do presidente da entidade, que reúne também hospitais beneficentes, religiosos e filantrópicos, o problema pode afetar o tratamento de pessoas com coronavírus e outras doenças. Luciney Boher afirma que a situação preocupa instituições dos mais variados portes.
“A dificuldade em poder fazer o enfrentamento deste momento que estamos atravessando é do hospital pequeno, do hospital médio e do hospital grande. Cada um na sua proporção do atendimento e na sua complexidade”, relatou.
O diretor do Departamento de Assistência Farmacêutica da Secretaria Estadual da Saúde (SES), Roberto Schneiders, observa que a alta nas internações por Covid-19 nas últimas semanas aumentou a pressão sobre o sistema.
Às 11h07 desta quinta-feira (11), o RS tinha 2.491 pacientes intubados em respiradores de UTIs. O número equivale a 76% do total de 3.262 internados em leitos críticos.
“Devido ao alto número da taxa de internações que nós tivemos no estado, com a ampliação de leitos, houve um consumo, logicamente, muito mais elevado desses medicamentos”, explicou.
De acordo com a SES, “uma pequena porcentagem” dos 290 hospitais do RS está com problemas críticos de abastecimento. O número varia conforme a disponibilidade de cada um dos 22 medicamentos monitorados nas instituições.
O governo do RS ainda afirma que, apesar da compra ser de responsabilidade das unidades de saúde, está trabalhando para adquirir os insumos de forma emergencial.
O G1 procurou o Ministério da Saúde, para obter informações sobre o abastecimento da rede hospitalar, o financiamento dos insumos e a política de preços do mercado farmacêutico, mas ainda não obteve retorno.
Custo dos insumos
Os principais itens em falta no mercado, segundo a Federação das Santas Casas, são os bloqueadores neuromusculares Atracurio e Besilato de Cisatracúrio, o sedativo Midazolam e o relaxante muscular Pancurônio.
Além disso, os hospitais encontram dificuldades para adquirir os relaxantes Rocurônio e Succinilcolina, o anestésico Propofol, bem como cateteres e cânulas (tubo de metal) utilizados nas UTIs.
Evolução dos preços dos insumos para intubação
Segundo Luciney Boher, que também dirige o Hospital de Clínicas de Passo Fundo, no Norte do RS, a aquisição dos itens do kit toma mais da metade dos recursos disponibilizados pelo Ministério da Saúde para o atendimento diário de um paciente.
“O paciente intubado neste grau que temos hoje, em relação à Covid-19, está gastando, em média, de R$ 850 a R$ 900 só com este kit, estas medicações. Ou seja, os hospitais estão recebendo R$ 1,6 mil do Ministério da Saúde e gastando em torno de R$ 850”, informou.
Conforme o diretor do Departamento de Assistência Farmacêutica da SES, a questão da variação dos preços só pode ser observada pelo governo federal, na Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), .
“É competência da União fazer esse monitoramento e ver se tem, eventualmente, a cobrança de taxas abusivas no mercado”, explicou.
Ainda segundo Roberto Schneiders, a SES faz um mapeamento semanal dos estoques nos hospitais. O estado também pediu que os fabricantes informem a situação da produção dos insumos. As medidas têm como objetivo auxiliar a distribuição dos produtos entre unidades com maior e menor disponibilidade.
“Com esse levantamento mais detalhado, vai se tornar muito mais precisa a ação que o estado, os municípios, a União e os hospitais precisam fazer”, disse.
Desde o início da pandemia até esta quarta-feira (10), o Rio Grande do Sul já registrou 14.087 óbitos e 713.614 casos de Covid-19. A taxa de ocupação nas UTIs era de 106% às 11h07 desta quinta.
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