'Grande preocupação', diz Medicina da UFRGS sobre medidas tomadas pela Prefeitura de Porto Alegre na pandemia


Nota do curso da universidade afirma que relaxar medidas de distanciamento social e fornecer medicamentos sem comprovação científica são “equívocos na condução das políticas de saúde pública”. Faculdade de Medicina da UFRGS
Divulgação/UFRGS
Em nota divulgada nesta sexta-feira (15), a Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) criticou medidas implementadas pela Prefeitura de Porto Alegre durante a pandemia do coronavírus e apelou para que sejam revogadas.
O curso considera que o relaxamento de medidas de distanciamento e o fornecimento de medicamentos sem comprovação científica são “equívoco na condução das políticas de saúde pública”.
“Tais medidas, além de ampliarem os gastos dos recursos financeiros públicos de maneira indevida, ameaçarão diretamente a saúde dos nossos concidadãos e fragilizarão ainda mais a qualidade da assistência prestada pelos profissionais de saúde, ampliando a tensão na linha de frente de enfrentamento ao COVID-19, graças à produção de uma demanda forçada”, afirma a nota.
A universidade ainda afirma que recomendar o chamado “tratamento precoce”, além de não oferecer a segurança contra a doença, estimula a ruptura do uso da ciência na tomada de decisões de combate à pandemia.
O G1 procurou a Secretaria Extraordinária de Covid-19 que informou que não se manifestará. Sobre os remédios, a Secretaria de Saúde enviou nota que pode ser lida abaixo.
O prefeito Sebastião Melo (MDB) implementou medidas como fim do limite de ocupação do comércio, de horário máximo para funcionamento de bares e restaurantes, além de ter liberado eventos de até 2,5 mil pessoas e uso de áreas comuns em condomínios.
Também anunciou que a prefeitura passará a distribuir o chamado “kit Covid”, composto por ivermectina, azitromicina, hidroxicloroquina e cloroquina, remédios sem eficácia comprovada contra a Covid-19.
Consultado pelo G1, o Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul afirmou que o seu objetivo é “defender a boa medicina, baseada em princípios científicos e nas melhores evidências”, e que a divulgação de tratamentos sem comprovação fora dos meios científicos é ilícito ético, de acordo com artigo 113 do Código de Ética Médica.
A Universidade Federal de Ciências de Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) preferiu não se manifestar, mas lembrou que emitiu notas técnicas sobre o uso da cloroquina no ano passado, e que integra o comitê científico do estado, que orientou prefeitos sobre a questão no ano passado.
A reitora da UFCSPA, Lúcia Pellanda, ainda em 2020, fez um apelo para que as pessoas ficassem em casa, diminuindo a circulação do vírus.
Nota da UFRGS
A centenária Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (FAMED-UFRGS), fiel a seus compromissos junto à sociedade brasileira, de garantir formação médica de alta qualidade, de produzir ciência de ponta e de promover saúde, vem, por meio desta carta, externar sua grande preocupação com as medidas de combate à epidemia de COVID-19 adotadas em Porto Alegre.
O relaxamento de medidas protetivas de distanciamento e proteção pessoal, as quais possuem evidências significativas de efetividade, assim como o fornecimento de medicamentos sem comprovação científica para a profilaxia dessa infecção – o chamado “tratamento precoce” – incorrem em um equívoco na condução das políticas de saúde pública, as quais devem estar voltadas à redução de casos infectados e de óbitos causados por essa doença.
Tais medidas, além de ampliarem os gastos dos recursos financeiros públicos de maneira indevida, ameaçarão diretamente a saúde dos nossos concidadãos e fragilizarão ainda mais a qualidade da assistência prestada pelos profissionais de saúde, ampliando a tensão na linha de frente de enfrentamento ao COVID-19, graças à produção de uma demanda forçada. Ao recomendar-se tratamentos com eficácia não comprovada, além de não ser oferecida segurança individual ou coletiva, cria-se um precedente inquestionável de ruptura do uso da ciência na tomada de decisões para o melhor uso de recursos em saúde.
Cabe ressaltar a inexistência de evidências científicas que sustentem a implementação de tais medidas. Como exemplos, o National Institute of Health (NIH) dos Estados Unidos da América, e o National Institute for Health and Care Excellence (NICE) do Reino Unido, ambos órgãos nacionais, não preconizam o uso dessas estratégias e medicamentos para tais fins. A Sociedade Brasileira de Infectologia também vem se manifestando sistematicamente no mesmo sentido. Todas essas instituições reconhecem a importância da vacinação para o controle da epidemia.
Apela-se para o espírito público de nossos gestores e solicita-se a revogação imediata das medidas adotadas em desconformidade com as orientações sanitárias e científicas, em benefício da sociedade porto-alegrense.
A FAMED-UFRGS, sempre atenta e compromissada com a saúde da sociedade brasileira, seguirá empenhada no combate a essa pandemia e na redução de seus impactos, defendendo a utilização das melhores práticas científicas e estando à disposição para manter diálogo e permanente troca de informações. A sociedade pode contar conosco.
Nota da Secretaria de Saúde
A Secretaria Municipal de Saúde informa que os medicamentos azitromicina, ivermectina pertencem a Relação Municipal de Medicamentos Essenciais (REMUME-POA) e são distribuídos nas Farmácias Distritais do município e nas Unidades de Saúde com horário até às 22h que contam com a presença de Farmacêutico, futuramente o medicamento Hidroxicloroquina, em processo de envio pelo Ministério da Saúde, também estará disponível nos mesmos locais. Tais medicamentos, quando indicados para a COVID-19, serão dispensados à população mediante a apresentação de receita médica válida e assinatura de Termo de Ciência, Consentimento e Orientação Farmacêutica de Hidroxicloroquina, Cloroquina, Azitromicina e/ou Ivermectina para COVID-19, garantindo-se assim o respeito pelo paciente, razão pela qual deve ser plenamente informado. Cabe ressaltar que não houve nenhuma compra de medicamentos a mais ou formação de kit, sendo preconizado ao profissional de saúde o melhor encaminhamento do paciente.
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