Ferramenta criada no RS mapeia fluxo das pessoas e pode apontar chance de contágio por Covid-19


A partir de cenários específicos, grupo que desenvolve a ferramenta estabeleceu projeções de contaminação após jogos de futebol na Capital. Lodus está em fase de desenvolvimento. Ferramenta em desenvolvimento estima como as pessoas se movimentam na cidade e as chances de contágio por coronavírus
Reprodução
Uma ferramenta desenvolvida por alunos e professores do curso de Ciências da Computação da PUCRS, em Porto Alegre, mapeia os fluxos de movimento populacional na Capital e pode ajudar a estimar os riscos de contágio pela Covid-19 de acordo com as chances de exposição ao vírus.
A plataforma, chamada Lodus, ainda está em fase de desenvolvimento e deve ficar pronta até o ano que vem. Com dados da Prefeitura de Porto Alegre, do Censo do IBGE e da empresa de monitoramento In Loco, que estima os percursos da população através da geolocalização dos celulares, a ferramenta consegue mostrar as direções em que os moradores da cidade se movimentam.
“A nossa tecnologia apresenta visualmente gráficos, entre eles, um mapa 3D da cidade em que se consegue simular os deslocamentos entre os bairros a partir das movimentações das pessoas via o GPS dos seus celulares. Também pode projetar situações de lockdown, eventos na cidade, estimativas de contágio e alguns dados comportamentais da população”, explica a coordenadora do estudo, professora Soraia Musse.
Simulação nos estádios de Porto Alegre
Os possíveis cenários de contaminação pelo coronavírus após uma partida nos estádios de Grêmio e Inter, caso a atividade estivesse liberada, mostram como a ferramenta pode chegar à estimativa.
Considerando as capacidades de lotação da Arena do Grêmio e do Beira Rio e os bairros em que estão localizados, o simulador projetou a quantidade de contaminados a partir das chances de contaminação de acordo com o comportamento dos frequentadores.
Os resultados estimam o quanto o vírus pode ter se espalhado em cinco meses a partir da data da presença nos estádios.
Confira:
Arena do Grêmio com 20% da lotação
Cenário de alto risco para o contágio (torcedores sem máscara e mantendo contato físico): 54 mil contaminados
Cenário de baixo risco para o contágio (torcedores com máscara e mantendo o distanciamento): 30 mil contaminados
Arena do Grêmio com 80% da lotação
Cenário de alto risco: 60 mil contaminados
Cenário de baixo risco: 37 mil contaminados
Beira Rio com 20% da lotação
Cenário de alto risco: 58 mil contaminados
Cenário de baixo risco: 33 mil contaminados
Beira Rio com 80% da lotação
Cenário de alto risco: 61 mil contaminados
Cenário de baixo risco: 41 mil contaminados
Após o dia do jogo hipotético, as pessoas que estavam no estádio e se contagiaram, retornam para suas casas e passam a infectar outras que, por sua vez, contagiam outras e assim sucessivamente.
“No caso das partidas de Grêmio e Inter, é interessante ver que o jogo no Beira Rio acabou contagiando mais pessoas após 150 dias. Existem algumas possibilidades para isso ter acontecido. Primeiramente, há uma diferença na localização dos bairros dos estádios em Porto Alegre”, diz a professora.
“Em segundo lugar, existe uma aleatoriedade na movimentação das pessoas na cidade, uma vez que não conhecemos as origens e destinos dos cidadãos em Porto Alegre. Essas duas questões variam as chances de contágio”, complementa.
Simulador pode reproduzir diversas projeções
A plataforma ainda pode fazer uma série de projeções a partir, por exemplo, do horário em que as pessoas saem de casa ou dos bairros que recebem maior fluxo de pessoas. E com essas estimativas, o poder público pode tomar medidas, explica a professora.
“Nessas situações o Lodus poderia ajudar. O que eu acontece se eu fecho um bairro? A abertura de comércio poderia ser o caso, também a distribuição de doentes pelas unidades de atendimento”, avalia.
A ferramenta pode ser alimentada com diferentes tipos de dados, para ser utilizada em diferentes cidades e situações, como explica a professora.
“Será possível simular um novo tipo de catástrofe, projetar a abertura ou fechamento de avenidas em determinados horários, as ocupações nas linhas ônibus, entre outras possibilidades que envolvem a mobilidade urbana”, conclui.

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