Executiva do PSDB prorroga mandato de Bruno Araújo na presidência do partido até 2022


Decisão freia movimentação do governador de São Paulo, João Doria, para assumir controle da sigla. Dirigentes usaram restrições da pandemia como justificativa para estender mandato. Bruno Araújo, em imagem de arquivo
Reprodução/NBR TV
A Executiva Nacional do PSDB decidiu nesta sexta-feira (12), em reunião virtual, prorrogar o mandato do ex-deputado e ex-ministro Bruno Araújo (PE) na presidência do partido até 2022.
A medida freia o movimento que o governador de São Paulo, João Doria, tentava fazer a fim de comandar o partido (veja mais detalhes abaixo). Doria tem intenções de disputar a presidência da República nas eleições do ano que vem.
Bruno Araújo foi eleito presidente do PSDB em maio de 2019 para um mandato de dois anos, que se encerraria nos próximos meses.
Oficialmente, a justificativa – apresentada por dirigentes estaduais da legenda – para a prorrogação do mandato são as restrições impostas pela pandemia, que inviabilizam encontros presenciais e a realização de uma convenção nacional para decidir a sucessão.
Doria quer afastar Aécio Neves, que reage: ‘PSDB não tem dono’
“A impossibilidade de encontros presenciais provocará grande prejuízo à mobilização da nossa militância e consequentemente ao exercício da democracia interna”, diz ofício assinado na última quarta-feira (10) por presidentes estaduais do PSDB.
No documento, os dirigentes pedem à Executiva a prorrogação dos mandatos do diretório e da Executiva Nacional tucana. Os políticos lembram, no ofício, que há um precedente de prorrogação de mandatos: uma resolução interna de dezembro de 2016.
A solicitação para prorrogação de mandatos foi referendada por membros da Executiva na reunião virtual desta sexta-feira.
Além dos dirigentes estaduais, 23 dos 33 deputados federais tucanos e toda a bancada de 7 senadores apoiaram a extensão do mandato de Bruno Araújo.
João Doria
Nesta semana, João Doria foi acusado por tucanos de dar início a uma empreitada para tentar “se apropriar do partido”.
Na última segunda (8), em um jantar, João Doria teria apresentado a integrantes da cúpula do PSDB um projeto para assumir o controle da legenda, de olho na disputa para a presidência da República em 2022.
Nas eleições de 2014, o agora deputado Aécio Neves (PSDB-MG) chefiava o partido quando concorreu à presidência do Brasil.
O mesmo ocorreu em 2018, quando o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP) estava no comando da sigla e foi lançado como candidato da legenda no pleito que acabou elegendo Jair Bolsonaro.
Há relatos de que João Doria tinha planos para aumentar o tamanho do PSDB, com a filiação de dissidentes do DEM ligados a Rodrigo Maia (DEM-RJ), derrotado na eleição para presidência da Câmara. O governador tucano também estaria interessado no afastamento de Aécio Neves da legenda.
Irritado, Aécio divulgou, na última terça-feira (9), uma declaração com duras críticas ao governador de São Paulo.
“Política não se faz com arroubos pela imprensa e nem se resume a ações sucessivas de marketing. Se o senhor João Dória, por estratégia eleitoral, quer vestir um novo figurino oposicionista para tentar apagar a lembrança de que se apropriou do nome de Bolsonaro para vencer as eleições em São Paulo, através do inesquecível Bolsodoria, que o faça, sem utilizar indevidamente e de forma oportunista outros membros do partido”, disse Aécio.
Eduardo Leite: ‘Estar no mesmo partido político não significa ter ideias convergentes’
Líder do PSDB no Senado, Izalci Lucas (DF) disse que a expectativa, em razão da pandemia, já era de prorrogação do mandato de Bruno Araújo. O senador diz, no entanto, que a “precipitação” do governador de São Paulo gerou “reação imediata”.
“Isso é uma demonstração de que o PSDB não tem dono. A maioria dos partidos tem dono. O PSDB não tem. Então, tem que ser na base do convencimento. Não dá para querer antecipar as coisas sem conversar com parlamentares e diretórios”, afirmou Izalci.
Em outra frente, parlamentares do PSDB se reuniram com o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, em Porto Alegre nesta quinta (11). Por trás desse movimento, estaria uma tentativa de viabilizar o político gaúcho como candidato tucano nas eleições de 2022.
“Alguns deputados [do PSDB] se reuniram com o Eduardo e fizeram um pedido para que ele entrasse em uma eventual disputa, para concorrer como presidente do partido ou até como candidato à presidência da República”, relatou o líder da sigla no Senado.

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