Entenda: Por que o RS atende mais de 100% da capacidade de UTIs


Plano de Contingência Hospitalar do estado prevê o uso de áreas ociosas em hospitais, além de salas de recuperação e blocos cirúrgicos, para receber pacientes em tratamento intensivo. UTI do Hospital de Clínicas em Porto Alegre na terça-feira, 2 de março de 2021
Silvio Avila
A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) atualiza, quinzenalmente, um mapa com a situação da ocupação de UTIs em todo o Brasil. Na classificação, estados com lotação em 80% ou mais da capacidade de leitos aparecem em nível crítico, sinalizado com a cor vermelha.
O Rio Grande do Sul é um dos 24 estados, além do Distrito Federal, classificados em nível crítico. No entanto, a situação é ainda mais grave. Desde 2 de março, as UTIs do RS operam acima dos 100% de ocupação.
Como isso é possível?
No dia 25 de fevereiro, quando as UTIs do RS estavam com lotação de 91,8%, a Secretaria Estadual da Saúde (SES) ativou a Fase 4 do Plano de Contingência Hospitalar. Esse patamar conta com três níveis de alerta: ocupação em 80%, 85% e acima de 90%.
Nesse ponto, conforme o documento, os hospitais públicos e privados devem providenciar o uso de todos os espaços possíveis para receber pacientes, diante da dificuldade de criar novos leitos de UTI. Ou seja, vagas emergenciais devem ser abertas em áreas ociosas, salas de recuperação e blocos cirúrgicos.
Assim, há mais pacientes críticos do que leitos de UTI efetivamente operando.
“Existem hospitais que têm quase uma UTI, que têm estruturas e equipes muito bem montadas, tem leitos de emergência com respirador. Entram na nossa lista, mas não é a primeira prioridade”, explica o diretor da Central de Regulação do estado, Eduardo Elsade.
Secretária da Saúde explica por que RS atende mais de 100% da capacidade de UTIs
A secretária da Saúde, Arita Bergmann, fez um apelo aos hospitais para que ampliassem o atendimento. Vídeo acima.
“Usem toda a estrutura do hospital, usem o bloco cirúrgico, usem as salas de recuperação e vamos criar ambiente para receber mais gente, tudo aquilo que for possível”, cobrou.
Além disso, o plano determina a suspensão imediata de cirurgias eletivas e a convocação de equipes médicas e de enfermagem para reforçar o efetivo na linha de frente do combate à Covid-19.
O que é contabilizado?
Outro fator importante é que, diferentemente de outros estados, o Rio Grande do Sul contabiliza a ocupação geral dos leitos de UTI por pacientes adultos. Assim, são registradas as internações de pacientes com Covid-19 e outras doenças em hospitais públicos e privados.
Além disso, a SES divulga, diariamente, um boletim com pessoas que aguardam transferências para leitos de UTI, que são classificados em vermelho, laranja e amarelo conforme o risco. Ou seja, além do excedente de pacientes nos hospitais, a Central de Regulação também controla a quantidade de pessoas que estão em UPAs e hospitais sem estrutura de tratamento intensivo e aguardam uma vaga no sistema hospitalar.
“Com leitos de UTI, mesmo em UTI emergencial ou sala vermelha com respiradores, não são prioritários. Estão em local adequado para atendimento”, considera Elsade.
Em Santa Catarina, por exemplo, o governo divulga a porcentagem de ocupação das UTIs que atendem no Sistema Único de Saúde (SUS), observando pacientes com e sem coronavírus, mas sem considerar a ocupação de hospitais privados.
Já no Paraná, o controle oficial separa as internações por Covid-19 nas UTIs públicas e privadas das internações por outras doenças e contabiliza apenas a ocupação por pacientes com coronavírus.
Painel de monitoramento das UTIs e leitos clínicos no RS
Reprodução/SES
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