Enfermeiros e técnicos são os profissionais de saúde mais atingidos pela Covid no RS, aponta boletim


Quase metade dos 32 mil profissionais da saúde infectados são da área da enfermagem. Dia Internacional da Enfermagem, celebrado nesta quarta (12), reforça a importância da profissão na linha de frente contra a Covid-19. UTI lotada no Hospital de Clínicas, de Porto Alegre.
Silvio Avila/Divulgação
O Dia Internacional da Enfermagem, celebrado nesta quarta-feira (12), marca, pela segunda vez nesta pandemia, dois desafios diários que os enfermeiros do RS enfrentam: como cuidar dos pacientes de uma doença pouco conhecida e, ao mesmo tempo, evitar o contágio do coronavírus.
Segundo a Secretaria Estadual da Saúde (SES), 32.049 profissionais da área da saúde tiveram diagnóstico positivo para a Covid-19. Quase metade deles (15.448 ou 48,2%) eram enfermeiros ou técnicos e auxiliares em enfermagem, aponta o boletim epidemiológico do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (CEVS) da primeira semana de maio.
O enfermeiro Gustavo Rocha de Conz, da Emergência do Hospital Divina Providência, em Porto Alegre, recorda a confusão de sentimentos de ser, ora profissional, ora paciente, já que também teve a doença.
“A gente teve medo do desconhecido, de como a gente iria se preparar para receber esses pacientes, e um dia fui paciente. Estive internado, tive todas as limitações que todos os pacientes tiveram, de não receber visita, do medo de estar internado e do que poderia acontecer. Quem estava praticamente todo o tempo do meu lado foi a equipe de enfermagem, os médicos, a equipe de assistência”, diz
Elisandra Luise Valadão Alves é enfermeira em uma unidade de isolamento de Capão da Canoa, no Litoral Norte. Para ela, o pior momento foram os 14 dias afastada do trabalho e da família após ser contaminada.
“Tive que ficar longe da minha filha de 4 anos, isolada dos meus familiares e afastada do meu trabalho, na pior época e que precisava muito de mim. Mas a gente escolhe a profissão por amor e, até o fim, vai lutar”, destaca.
Desafios de uma doença nova
Na linha de frente, os enfermeiros precisaram encontrar saídas que nem sempre aprenderam em salas de aula ou quartos de hospitais. Gustavo cita, por exemplo, a adaptação à realidade imposta pela doença infecciosa, que afastou parentes e transformou o contato em impeditivo na recuperação.
“Durante a pandemia, a gente precisou, por vários momentos, tomar decisões difíceis, tomar medidas tecnológicas para acalentar um pouco os corações das famílias com videochamadas, para aproximar o familiar do seu ente querido. E também teve muitos momentos de tristeza, de ir para casa chorando, sabendo que mesmo não tendo êxito a gente estava com a missão cumprida”, afirma.
Enfermeira há 30 anos no Hospital Centenário, em São Leopoldo, na Região Metropolitana de Porto Alegre, Simone de Souza ressalta o trabalho em outros setores, que também são considerados linha de frente, como o centro obstétrico, e também foram afetados na pandemia.
“Quando a gente fala em Covid, a gente pensa no adulto, de forma muito generalizada, e pouco enfoca nas mulheres que buscam atendimento para seus filhos, e muitas já tiveram Covid. O que era para ser um momento de alegria, de felicidade, uma ansiedade, um nervosismo muito grande, porque não sabe até que ponto o bebê pode ter uma complicação. E essa ansiedade não é gerada só nessa família, mas também nos funcionários. Estamos preparados, fomos capacitados, mas a gente sabe que é uma doença nova”, afirma.
Por outro lado, os trabalhadores da saúde também lideram entre os grupos que receberam a vacina. Até esta terça (11), 437,6 mil profissionais receberam ao menos uma dose dos imunizantes, e 293,5 mil deles completaram a imunização, muitos dos quais são enfermeiros ou técnicos.
O mínimo diante das privações e provações que os soldados da linha de frente enfrentam diariamente.
“A única coisa que a enfermagem tinha em mente é que, mesmo não conhecendo o inimigo, tendo poucas informações, ia ter que vestir as armaduras e lutar. Foi o que a gente fez e é o que a gente está fazendo até hoje”, ressalta a enfermeira Flávia Fernandes Corrêa, do Hospital de Pronto-Socorro de Canoas
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