Duas pessoas são indiciadas após simularem enforcamento de negro em manifestação no RS


Polícia enquadrou caso como crime racial. Indiciados realizaram um ato durante manifestação em apoio ao presidente Jair Bolsonaro em que um deles se vestia com roupas semelhantes às do grupo supremacista branco Ku Klux Klan, e simulava o enforcamento de um boneco vestido de preto. Inquérito concluiu que houve dolo eventual em crime racial e foi encaminhado ao Judiciário
Divulgação/Polícia Civil
Duas pessoas foram indiciadas nesta sexta-feira (21) pela Polícia Civil após uma encenação de uma execução por enforcamento de uma pessoa negra, durante ato promovido por apoiadores do presidente da República, Jair Bolsonaro, no dia 21 de abril, em Porto Alegre. Os nomes dos envolvidos não foram divulgados pela Polícia, em razão da Lei de Abuso de Autoridade.
No episódio, um homem, vestido com roupas semelhantes às usadas pelo grupo supremacista branco americano Ku Klux Klan (também conhecido como KKK), simulou o enforcamento de um boneco com vestes pretas.
A Polícia Civil enquadrou o caso como dolo eventual em um dos artigos da Lei do Crime Racial: “Praticar, induzir ou incitar, pelos meios de comunicação social ou por publicação de qualquer natureza, a discriminação ou preconceito de raça, por religião, etnia ou procedência nacional. Pena: reclusão de um a três anos e multa”.
Um dos indiciados é o homem que vestiu a roupa, e o outro ajudou na organização do ato. Segundo a titular da Delegacia do Combate à Intolerância, Andrea Mattos, eles assumiram a participação, mas negaram que tiveram intenção racista.
“[Eles alegaram que] a cor da túnica não seria branca, que é a cor característica da Klan [a túnica era marrom]. E disseram que o manequim enforcado na árvore estava com uma roupa preta, única exclusivamente para diferenciar da cor marrom. Que a ideia central daquele manequim na verdade representaria o comunismo”, explica a delegada.
Homem indiciado se vestiu com roupa similar à de movimento supremacista branco Ku Klux Klan durante manifestação
Reprodução/RBS TV
Testemunhas ouvidas pela polícia, porém, disseram que “a primeira sensação ao ver o vídeo foi de ameaça, receio que esse tipo de coisa virasse moda”, de acordo com a delegada. “Entenderam que a cor da roupa não seria impeditivo para homenagem do grupo supremacista e que as características como capuz pontiagudo, que forma de execução lembrariam, sim, a Ku Klux Klan”, diz.
Andréia lembra que os crimes de ódio são fundamentados no fato de não se dirigirem somente a um indivíduo, mas a um grupo.
“Não se trata unicamente de uma manifestação cultural e democrática, tampouco mera liberdade de expressão, muito pelo contrário. A encenação claramente ocorreu palco em homenagem ao grupo supremacista”, conclui a delegada.
A denúncia foi feita por representantes da Câmara de Vereadores da Capital e de 11 organizações civis
O inquérito foi remetido ao Judiciário nesta sexta. Em caso de condenação, os envolvidos podem pegar de 1 a 3 anos de cadeia, diz a polícia.
Veja imagens da manifestação em Porto Alegre:
Justiça deve avaliar manifestação com referência à movimento supremacista em Porto Alegre

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