Desocupação de leitos de UTI freia e número de internações por Covid em leitos clínicos sobe no RS


Média móvel de casos entrou em estabilidade novamente nesta quarta (19) após uma semana de queda. Especialistas alertam que aumento de casos pode incidir em nova onda da pandemia. Atendimento em ala do Hospital de Clínicas em Porto Alegre
HCPA/Divulgação
Nesta quarta-feira (19), data em que passa das 27 mil mortes por Covid-19, o Rio Grande do Sul registra piora em vários indicadores da pandemia. A desocupação dos leitos de UTI nos hospitais gaúchos estacionou próximo ao nível crítico e a ocupação dos leitos clínicos por pacientes com coronavírus segue aumentando.
Além disso, a média móvel de casos entrou em estabilidade novamente após uma semana de quedas, e somente a média móvel de mortes permanece em queda, mas devagar e acima do patamar dos 100 óbitos diários há 80 dias.
No Bom Dia Rio Grande desta quarta-feira (19), o cientista de dados Isaac Schrarstzhaupt, coordenador da Rede Análise Covid-19, alertou que os indicadores de morte pela doença são consequência de outros dados anteriores. Ele explica que, normalmente, o primeiro indicador é o aumento de pessoas com os sintomas da doença, seguido pela ampliação nas testagens, depois nos casos notificados, nas hospitalizações em leitos clínicos, nas internações em UTI e, por fim, nos óbitos.
“O indicador de óbitos é um indicador de colheita. É a colheita do que a gente plantou lá atrás. Se a gente teve um número alto de contaminações, de pessoas infectadas, a gente vai ter um número alto de óbitos, porque um correlaciona com o outro. O ideal é frear o máximo possível no começo para evitar esse aumento no final”, aponta.
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Leitos clínicos
No auge da pandemia, o estado chegou a registrar 5.435 pessoas internadas em leitos clínicos com diagnóstico positivo para o coronavírus, além de 794 suspeitos de terem síndrome respiratória aguda grave (SRAG). Isto ocorreu em 12 de março.
De lá para cá, as internações baixaram até o patamar dos 2 mil pacientes. Porém, desde 8 de maio, quando chegou a ter 1.915 pessoas com a doença, as hospitalizações por Covid-19 voltaram a subir.
Nesta quarta (19), com 2.354 pacientes com diagnóstico positivo e outros 480 suspeitos, o RS registra um aumento de quase 16% em relação a duas semanas atrás. Ou seja, em uma média móvel de internações pela Covid, o estado está em alta novamente. (Veja o gráfico)
Em entrevista ao RBS Notícias, o chefe de Infectologia do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, Alexandre Zavascki, disse que essa mudança na curva era esperada. Ele cita que a taxa de transmissão em relação à população deveria estar entre cinco e 10 pessoas a cada 100 mil habitantes, mas que, no RS, é de 30 para cada 10 mil.
“O que gente não consegue ainda predizer é a extensão, a magnitude dessa quarta onda. Mas que ela vai chegar, da forma como estamos lidando com a epidemia, vai chegar”, afirma.
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Leitos de UTI
Entre 3 e 31 de março, o Rio Grande do Sul teve superlotação nas UTIs. Não havia leitos livres, e boa parte dos 300 hospitais operava acima da capacidade, com medidas emergenciais sendo adotadas a partir da fase 4 do Plano de Contingência Hospitalar da Secretaria Estadual da Saúde (SES).
O principal motivo foi o aumento exponencial de pacientes com Covid-19, que, neste período, variou de 1,9 mil a 2,6 mil. Com a diminuição da internação de pessoas com coronavírus, a demanda diminuiu, as vagas foram aumentando e pacientes por outras doenças passaram a ser readmitidos.
Contudo, a desocupação foi mais lenta e, há pelo menos duas semanas, estagnou próximo a 80% da ocupação, nível considerado crítico. A variação em relação a duas semanas atrás foi de -3%. E, desde meados de novembro de 2020, o RS tem mais pacientes com Covid-19 internados em UTI do que leitos disponíveis. (Confira o gráfico)
Média móvel de casos
Um dos motivos para esse aumento, segundo os especialistas, é que, embora tenha aumentado a oferta de leitos e reduzidas as mortes, o contágio ainda é alto. Nesta quarta, a média móvel de novos casos voltou à estabilidade. (Analise o gráfico mais abaixo)
Houve, em comparação com duas semanas atrás, uma variação de -12%, o que é considerado estável. A média estabilizou no patamar de 3,6 mil casos diários, em média. Desde 22 de fevereiro ela não reduz abaixo de 3 mil novos infectados.
Isaac considera que reduzir a mobilidade seja uma das formas mais eficazes de derrubar esta linha antes que ela se torne uma curva ascendente outra vez.
“Assim que a gente conseguir que aquele foguete, que estava lá na estratosfera, frear e começar a cair, a gente começou a aumentar a mobilidade, isso coloca as pessoas em contato umas com as outras, coloca suscetíveis em contato com pessoas infectadas em fase de transmissão, e isso começa a aumentar os novos casos porque não tem a cobertura vacinal”, avalia o cientista.
Vacinação
No entanto, ele observa que nem a vacinação serve como salvo-conduto de comportamentos fora dos protocolos de segurança sanitária. Ele explica que a vacina trabalha com a eficácia de redução de risco relativo, que é o risco de o vacinado pegar em relação ao não vacinado.
“Só que, como tenho uma incidência alta, eu aumento o risco do não vacinado contrair a doença e aumento o risco do vacinado também. Ele é sempre menor do que o não vacinado, mas aumenta junto. Por isso, tem que fazer uma estratégia conjunta: reduz a incidência, baixa a taxa de transmissão, e aí vacina o máximo de pessoas”, justifica.
Até esta quarta-feira, o Rio Grande do Sul liderava a vacinação entre os estados brasileiros, com 2,8 milhões de pessoas contempladas com ao menos uma dose, o equivalente a 24,8% da população gaúcha. Entre os que receberam as duas doses, são 1,1 milhão de beneficados, mais de 10,5% da população.
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