Centro de acolhimento recebe refugiados desempregados durante a pandemia no RS

Unidade foi inaugrada esta semana em Porto Alegre. Maioria dos migrantes atendidos nos primeiros dias eram venezuelanos. Saiba como agendar um atendimento gratuito. Um centro de acolhimento e proteção a refugiados foi inaugurado na segunda-feira (25), no bairro Menino Deus, em Porto Alegre. O local é mantido pelo Serviço Jesuíta a Migrantes e Refugiados, presente em mais de 50 países, e recebe migrantes presentes no Rio Grande do Sul.
Nos primeiros dias, os venezuelanos foram os que mais procuraram o serviço. Com a crise no país vizinho, 260 mil venezuelanos já ingressaram no Brasil pelo estado de Roraima, e cerca de 6 mil estão no RS.
“A demanda grande tem sido na busca por trabalho, principalmente durante este período de pandemia. As dificuldades estão muito maiores pra se conseguir trabalho e se integrar no brasil. Também temos demandas mais emergenciais, que nós chamamos de proteção, que é o apoio psicossocial e esse encaminhamento para a rede de proteção de Porto Alegre também”, diz o coordenador da unidade do RS, Lucas Nascimento.
Cláudia Rodrigues, imigrante venezuelana, conta que jamais vai esquecer o que sentiu ao deixar a Venezuela.
“Quando pisei no Brasil, foi um alívio. Quando me estenderam a mão, quando me deram um abraço de boas vindas e de apoio, isso valeu muito”, revela.
No entanto, após dois anos morando na Capital, ela não consegue mais emprego. “É difícil para cumprir com nosso compromisso de ajudar nossa família, que está na Venezuela. Pelo menos meu filho, que precisa, necessita de mim”, complementa.
Já Alitia Guayaper, de 59 anos, tinha uma fábrica de móveis no Norte da Venezuela, mas decidiu vir ao Brasil com a irmã e o sobrinho.
“O salário mínimo lá não é 1 dólar. Um salário mínimo lá não dá pra comprar um quilo de carne. Ao mês, não dá para comprar uma massa, não dá para comprar um frango, não dá para comprar nada”, reclama.
Atualmente, ela vende comida venezuelana em São Leopoldo, na Região Metropolitana. Para o futuro, porém, ela não descarta voltar à Venezuela.
“Se vende muito pouco, muito pouco, realmente. Eu penso que estamos comendo, mas não dá para minha irmã, nem para mim, não dá. Não dá para pagar a água. Aqui a água é cara, a luz é muito cara, o aluguel é caro. Eu quero voltar, mas tem que esperar até as coisas melhorarem lá, porque, como estão as coisas agora, não posso voltar. Eu quero voltar pra minha casa, com a minha família. Venezuela é um país muito lindo, muito lindo”, acrescenta.
Veja como agendar um atendimento gratuito:
(51) 3254-0140 ou 99995-5573
[email protected]
De segunda a quinta-feira, das 9h às 17h
Rua General Caldwell, 651 – Menino Deus

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