Após alerta de fabricante, Porto Alegre mantém distribuição de remédio sem eficácia contra a Covid


Fabricante da ivermectina emitiu uma nota, na quinta (4), em que afirma não haver evidência de que o medicamento funcione contra o coronavírus. Para a secretaria de Saúde, o uso é de responsabilidade do médico e do paciente. Ivermectina não tem eficácia comprovada no tratamento da Covid-19, conforme nota da própria fabricante
Getty Images via BBC
A Prefeitura de Porto Alegre (SP) informou que irá manter a distribuição de ivermectina na rede de atenção primária, mesmo após a fabricante informar que não há eficácia comprovada no tratamento contra a Covid-19. Para a Secretaria Municipal da Saúde (SMS), o uso destes medicamentos é opcional, sendo a aplicação resultado de decisão do médico e consentimento do paciente.
Nesta quinta-feira (4), a Merck, empresa farmacêutica responsável pela fabricação da ivermectina, emitiu uma nota em que afirma que “não existe evidência significativa de atividade ou eficácia do medicamento em pacientes com Covid-19”.
“Não acreditamos que os dados disponíveis sustentem a segurança e a eficácia da ivermectina além das doses e dos grupos indicados nas informações de prescrição aprovadas por agências regulatórias”, diz o comunicado.
Em nota técnica publicada na edição extra do Diário Oficial de 7 de janeiro, a Secretaria orienta farmacêuticos da rede de atenção primária do município sobre a distribuição da ivermectina, além da azitromicina, hidroxicloroquina e cloroquina para “tratamento precoce da Covid-19”. A secretaria não informou, entretanto, a quantidade desses remédios repassados às farmácias.
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Conforme a secretaria, o acesso é condicionado à apresentação de prescrição médica e assinatura de termo de consentimento pelo paciente. No documento, ele reconhece estar ciente que o usos desses remédios “não está indicado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para esse tipo de tratamento” e que “esses medicamentos podem causar efeitos colaterais conforme descrito em sua bula”.
Para o infectologista Alexandre Prehn Zavascki, a decisão da prefeitura é inversa a todas as recomendações das principais autoridades sanitárias do mundo.
“A decisão de fornecer tratamento precoce já foi uma decisão contra o que recomendam as principais entidades científicas do mundo, sociedades especializadas, da Organização Mundial da Saúde. Não foi uma decisão baseada em evidências científicas, mas numa crença, em um critério meramente político”, diz.
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Na nota técnica assinada pelo secretário Mauro Fett Sparta, a secretaria informa que “caso o farmacêutico, durante a avaliação do histórico do paciente e orientação, constate alguma contra indicação formal ou necessidade de ajuste de dose de algum medicamento em uso, poderá realizar o encaminhamento por escrito ao prescritor para adequação da farmacoterapia do paciente”.
No entanto, como destaca Zavascki, a indicação de um tratamento inexistente cria uma falsa ideia ao público.
“O grande mal que eu vejo é as pessoas acreditarem que existe um tratamento que elas possam fazer e reverter e, com isso, descuidarem da sua proteção acreditando que vai ter algum tratamento que possam fazer em casa”, conclui.
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