Enquanto algumas capitais brasileiras oferecem mamografia digital de última geração com laudo em poucos dias, mulheres de determinadas regiões do país ainda enfrentam meses de espera ou precisam viajar centenas de quilômetros para realizar o mesmo exame. Essa disparidade territorial é um dos pontos que mais preocupa o Dr. Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, médico radiologista que também ocupou a função de secretário de Saúde e acompanhou de perto os desafios estruturais do sistema público brasileiro.
Compreender por que essa desigualdade persiste, mesmo diante de avanços tecnológicos evidentes, exige olhar para além dos equipamentos disponíveis em cada cidade. Envolver logística, formação profissional, investimento público e prioridades políticas que se acumularam ao longo de décadas. A seguir, exploraremos as raízes desse problema e os caminhos que vêm sendo planejados para reduzir essa distância entre diferentes regiões do país.
Por que o acesso à mamografia varia tanto entre regiões?
O Brasil possui dimensões continentais, e essa característica geográfica se reflete diretamente na distribuição de serviços de saúde especializados. Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer, a cobertura mamográfica adequada, realizada dentro do intervalo recomendado pelas diretrizes nacionais, varia consideravelmente entre estados, sendo geralmente mais baixa nas regiões Norte e Nordeste, onde a concentração de equipamentos e profissionais especializados é historicamente menor.
Para o Dr. Vinicius Rodrigues, essa disparidade não ocorre apenas pela ausência de aparelhos de mamografia, mas também pela escassez de radiologistas capacitados para interpretar os exames com qualidade em determinadas localidades. Assim, um equipamento moderno sem uma experiência profissional para analisar as imagens perde grande parte de sua utilidade clínica, o que evidencia que a solução para essa desigualdade passa por investimento simultâneo em tecnologia e em formação médica continuada.
O que explica a diferença entre saúde pública e suplementar nesse cenário?
Além das disparidades regionais, existe uma distância significativa entre o acesso oferecido pelo Sistema Único de Saúde e aquele disponível na saúde suplementar. Embora os beneficiários de planos de saúde costumem realizar exames de rotina com relativa facilidade, os usuários exclusivos do SUS frequentemente dependem de encaminhamentos, filas de espera e disponibilidade limitada de equipamentos em unidades públicas. Relatórios da Agência Nacional de Saúde Suplementar já apontaram diferenças relevantes na periodicidade dos exames entre esses dois grupos populacionais.

Essa distância reflete um problema estrutural mais amplo do financiamento em saúde no Brasil, e não uma falha isolada de gestão. Ao analisar esse cenário, o Dr. Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues destaca que investir em programas organizados de rastreamento populacional, com convocação ativa de mulheres elegíveis, tende a ser mais eficiente do que depender exclusivamente da demanda espontânea, especialmente em regiões onde o acesso à informação em saúde ainda é limitado.
Quais soluções vêm sendo testadas para reduzir essa desigualdade?
Iniciativas como unidades móveis de mamografia, parcerias entre secretarias estaduais e municipais e a telerradiologia, que permitem que um especialista analise exames realizados em cidades distantes de grandes centros, são mostradas como alternativas concretas para ampliar o acesso sem depender exclusivamente da construção de novos serviços físicos. Experiências internacionais, como programas de rastreamento móvel implementados em países de extensão territorial semelhante ao Brasil, também servem de referência para o desenho de políticas locais.
Para o ex-secretário de Saúde, Dr. Vinicius Rodrigues, a telerradiologia representa uma das ferramentas mais promissoras para equalizar a qualidade diagnóstica entre regiões, permitindo que a escassez de radiologistas em determinadas localidades seja compensada pela análise remota de profissionais especializados. No entanto, essas soluções tecnológicas precisam vir acompanhadas de investimento em conectividade e logística de transporte de imagens, sob risco de se tornarem projetos pontuais sem continuidade real.
Reduzir distâncias para salvar vidas
A desigualdade no acesso à mamografia não é apenas uma questão administrativa, mas um fator que impacta diretamente a mortalidade pelo câncer de mama em diferentes regiões do país. Mulheres, tardiamente, muitas vezes por dificuldade de acesso ao exame, enfrentam tratamentos mais agressivos e prognósticos menos desenvolvidos do que aqueles com acesso regular ao rastreamento.
O Dr. Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues expressa que reduzir essa distância exige, de forma progressiva, entre diferentes níveis de gestão pública, investimento contínuo em infraestrutura e valorização da carreira de radiologistas, com o objetivo de atuar fora dos grandes centros urbanos. Somente com esse conjunto de ações será possível transformar o mapa desigual da mamografia brasileira em um cenário mais equilibrado e realmente acessível a todas as mulheres.
