Inovar no Direito parece simples quando a mudança envolve apenas uma nova ferramenta, mas a realidade é mais complexa. Como expressa o Doutor Gilmar Stelo, advogado e fundador do Stelo Advogados, a inovação jurídica precisa dialogar com regras, responsabilidades, métodos de trabalho e expectativas dos clientes, o que torna a transformação menos imediata do que em outros setores.
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O que torna o Direito mais resistente às mudanças?
O trabalho jurídico lida diretamente com segurança, previsibilidade e responsabilidade. Uma alteração em um procedimento pode produzir consequências relevantes, especialmente quando envolve documentos, contratos, informações confidenciais ou decisões que afetam terceiros. Por isso, a cautela que faz parte da profissão também pode tornar a adoção de novas práticas mais lenta. Antes de incorporar uma mudança, é necessário avaliar se ela preserva os cuidados exigidos pela atividade e se oferece benefícios concretos para a rotina profissional.
Existe ainda uma cultura profissional construída durante anos. Escritórios desenvolvem métodos próprios, profissionais se especializam em determinadas rotinas e clientes se acostumam a formas específicas de atendimento. Quando uma inovação exige abandonar uma prática conhecida, a resistência não necessariamente significa rejeição à novidade. Muitas vezes, representa receio diante do que ainda não foi suficientemente testado. A adaptação tende a ser mais consistente quando a equipe compreende os motivos da mudança e consegue acompanhar seus resultados ao longo do tempo.
O Doutor Gilmar Stelo atua em um ambiente no qual essa combinação entre conhecimento técnico e responsabilidade torna a discussão sobre inovação especialmente relevante. A questão não é mudar por mudar, mas identificar quais transformações realmente melhoram a prestação do serviço jurídico sem comprometer sua qualidade. Nesse processo, inovação e responsabilidade precisam caminhar juntas para que novas práticas contribuam efetivamente para o trabalho realizado.
Tecnologia resolve sozinha o problema da inovação?
A tecnologia pode acelerar tarefas, organizar informações e reduzir atividades repetitivas, mas sua presença não transforma automaticamente um escritório em uma operação inovadora. Uma ferramenta nova utilizada dentro de processos antigos pode apenas digitalizar uma rotina que continua sendo pouco eficiente. Por isso, antes de adotar qualquer solução, é importante avaliar se ela realmente modifica a maneira de executar o trabalho e resolve uma dificuldade concreta da atividade jurídica.

Segundo o Doutor Gilmar Stelo, esse ponto ajuda a explicar por que alguns projetos tecnológicos não produzem os resultados esperados. Antes de escolher uma solução, é necessário compreender qual problema será enfrentado. Se uma atividade demora porque envolve etapas desnecessárias, automatizá-la sem rever o processo pode apenas tornar mais rápida uma estrutura que já precisava ser modificada.
Por que mudar processos pode ser mais difícil que adotar ferramentas?
Modificar um processo significa alterar hábitos. Isso envolve definir responsabilidades, rever etapas, testar novas formas de organização e acompanhar os resultados. Em um escritório, mudanças desse tipo podem afetar diferentes profissionais simultaneamente, tornando a adaptação uma questão de gestão, e não apenas de tecnologia. Sem planejamento, uma ferramenta criada para simplificar o trabalho pode gerar dúvidas, retrabalho e dificuldades de adaptação entre os integrantes da equipe.
Além disso, o Direito exige atenção especial à qualidade das informações. Uma rotina mais rápida não é necessariamente melhor se aumentar erros, comprometer análises ou dificultar o controle sobre documentos e prazos. A inovação precisa, portanto, ser acompanhada por critérios que permitam verificar se a mudança realmente trouxe melhoria. A eficiência precisa caminhar ao lado da precisão, especialmente em atividades nas quais uma falha pode comprometer uma decisão ou uma obrigação importante.
Essa preocupação se conecta à atuação estratégica atribuída ao Doutor Gilmar Stelo. Em vez de tratar inovação como uma ruptura automática com métodos anteriores, a análise jurídica pode considerar quais práticas devem ser preservadas e quais precisam ser reformuladas. O objetivo passa a ser evolução com controle. Dessa forma, novas soluções podem ser incorporadas de maneira gradual, permitindo que seus efeitos sejam avaliados antes de uma mudança mais ampla na rotina.
