Mercado sobe a expectativa de inflação para 6,56% e vê Selic a 7% em 2021

O mercado financeiro voltou a elevar as expectativas de inflação, taxa de juros, recuperação da economia e câmbio em 2021, segundo dados do Boletim Focus divulgados nesta segunda-feira, 26. A mediana da pesquisa do Banco Central feita com mais de 100 instituições apontou para o avanço de 6,56% do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o indicador oficial da inflação brasileira. Esta é a 16ª semana seguida de elevação da projeção. Na semana passada, a previsão indicava a alta de 6,31%. O BC persegue a meta inflacionária de 3,75%, com margem de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, ou seja, entre 2,25% e 5,25%. A prévia do índice foi a 0,72% em julho, o maior valor desde 2004, e acumulou 8,59% nos últimos 12 meses. A alta foi impulsionada pelo encarecimento da energia elétrica em meio à pior crise hídrica do país nos últimos 90 anos. O presidente da autoridade monetária nacional, Roberto Campos neto, já admitiu que a inflação vai fechar o ano acima do limite máximo ao projetar avanço de 5,8%. Os analistas do mercado também revisaram para cima a expectativa para o IPCA de 2022, de 3,75% para 3,80%. A meta para a inflação no ano que vem é de 3,50%, com variação entre 2% e 5%.

O avanço da inflação fez o mercado revisar a Selic, a principal ferramenta do BC para conter a variação dos preços, para alta de 7%, a terceira semana seguida de elevação. Na edição passada, a expectativa apontava para avanço de 6,75%.  O Comitê de Política Monetária (Copom) acrescentou 0,75 ponto percentual na taxa de juros em junho, subindo a Selic para 4,25% ao ano. O colegiado afirmou que deve fazer novo acréscimo da mesma magnitude em agosto, mas “deixou a porta aberta” para alta mais elevada. A trajetória de alta da inflação faz com analistas projetem alta de 1 ponto percentual da taxa de juros no próximo encontro para evitar que o resultado deste ano contamine as expectativas para 2022.

A estimativa com o Produto Interno Bruto (PIB) também foi revista para cima, com alta de 5,29%, ante 5,27% na edição passada. Foi a 14ª semana seguida que a pesquisa do BC mostrou maior otimismo com a recuperação da economia brasileira em 2021. A mediana para o câmbio também sofreu leve mudança, de R$ 5,05 para R$ 5,09. O dólar retomou a trajetória de alta no início de julho com o recrudescimento do ambiente político doméstico e a disseminação da variante Delta da Covid-19 em diversas partes do mundo. Desde o dia 1º, a moeda norte-americana voltou a ser negociada acima de R$ 5. O câmbio opera em alta nesta segunda-feira, na casa de R$ 5,22.

 

 

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