‘Mar chocolatão’: Entenda por que praia japonesa da disputa de surfe foi comparada ao litoral do RS


Coloração do mar na praia de Tsurigasaki, onde Italo Ferreira conquistou o ouro nos Jogos Olímpicos, rendeu comparações nas redes sociais. Especialista explica que tom de “chocolate” é provocado pela presença de algas na água. Especialista explica por que o mar do RS tem aspecto de ‘chocolatão’
A disputa do surfe nos Jogos Olímpicos de Tóquio rendeu uma medalha de ouro para o Brasil, com Italo Ferreira, e muitos memes nas redes sociais. Internautas compararam o mar da praia de Tsurigasaki, onde ocorreram as provas, com o “mar chocolatão” do Litoral do Rio Grande do Sul.
A água de tonalidade escura motiva o apelido dado pelos gaúchos ao próprio litoral. A ex-governadora Yeda Crusius (PSDB) e o apresentador da TV Globo Flávio Fachel foram alguns dos que perceberam a semelhança nas redes. Veja os memes abaixo.
O que explica a fama do mar “chocolate”?
Segundo o diretor Centro de Estudos Costeiros, Limnológicos e Marinhos (Ceclimar) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Eduardo Guimarães Barboza, a presença de algas provoca a coloração diferente do mar gaúcho. Veja acima.
“O que ocorre é uma floração de algas diatomáceas da espécie Asterionellopsis glacialis provocada pelas ondulações, que têm mais energia no inverno, junto com a presença da corrente das Malvinas, que vem do sul e traz águas frias e ricas em nutrientes”, explica.
O surfista Leandro Luz, que pratica surfe bodyboard nas praias gaúchas, brincou que as Olimpíadas tiveram um dia de “Japão da Canoa”, em referência à cidade de Capão da Canoa, no Litoral do RS.
“Nossas ondas são boas, sim. Não são tão boas como as ondas de locais que têm as praias com costões e enseadas. Por ser um mar muito aberto, o nosso sofre muito com as ações dos ventos. O chocolatão nosso não influencia no surfe, é uma proliferação de algas. O legal é pegar tubos em ondas escuras, bem diferente da maioria dos picos de surfe”, relata.
Barboza tranquiliza banhistas que, eventualmente, confundem a cor escura com sujeira.
“Não é um problema em termos de saúde. Inclusive, essas algas repercutem em toda a bioprodutividade, elas servem de alimentos na cadeia alimentar e, com isso, a gente tem, em nossa costa, um litoral rico em biodiversidade”, diz o diretor do Ceclimar.
Registo do “mar chocolatão”, em Tramandaí, no Litoral Norte do RS
Giulia Perachi/RBS TV
No Japão, o professor acredita que o fenômeno possa ser semelhante ao visto no Rio Grande do Sul.
“É bem provável que tenha muito nutrientes na água. Assim, é possível a proliferação de algas. Mas podem ser de outras espécies. Esse nutrientes podem ser de origem antrópica [decorrentes da ação humana], pois a população por lá é muito grande”, avalia.
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Ítalo Ferreira conquistou o ouro olímpico nas águas escuras de Tsurigasaki, no Japão
Lisi Niesner/Reuters
No estado, essa condição é mais propícia no inverno, segundo o pesquisador do Ceclimar. Eduardo Guimarães Barboza comenta que as algas, assentadas no fundo do mar, acabam suspensas na zona de surfe, onde quebram as ondas.
“A exposição à luz solar permite que elas se multipliquem. Dando assim o aspecto ‘chocolate’ ao mar”, diz.
Sobre as brincadeiras na internet, a professora de comunicação da Unisinos e especialista em cultura digital Adriana Amaral diz que os memes nascem de forma coletiva e em um instante, ressaltando a velocidade. Outro ponto citado pela especialista, é o caráter regional do meme.
“Neste caso específico do Rio Grande do Sul, adiciona mais uma camada. O estado é conhecido como ‘o maior’, ‘RS melhor em tudo’ em hashtag e essas brincadeiras. Quando entra na questão da praia, do mar chocolatão, tem uma via mais irônica”, explica.
Mar tem coloração escura em Tramandaí
Giulia Perachi/RBS TV
Memes com o “chocolatão”:
Jornalista Flávio Fachel, da TV Globo, comparou o mar japonês com o “chocolatão” do RS
Reprodução/Twitter
Yeda Crusius (PSDB), ex-governadora do RS, brincou com a tonalidade achocolatada do mar
Reprodução/Twitter
Natural de Porto Alegre, a atriz Tainá Müller também identificou a semelhança do mar japonês com o do RS
Reprodução/Twitter
Japão ou Tramandaí? Ironizou o perfil do festival Planeta Atlântida
Reprodução/Twitter
O jornalista Marcelo Soares comparou a obra japonesa “A Grande Onda de Kanagawa” com o mar de Capão da Canoa
Reprodução/Twitter
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