Hospital Conceição de Porto Alegre confirma duas mortes após surto de Covid


Segundo coordenadora do Núcleo Hospitalar de Epidemiologia da instituição, pacientes contraíram vírus durante internação. Ao todo, instituição registrou 54 casos da doença entre servidores e funcionários. Há suspeita da circulação da variante delta do coronavírus. Hospital Conceição fica localizado na Zona Norte de Porto Alegre
Reprodução/RBS TV
O Grupo Hospitalar Conceição (GHC) confirmou, na tarde desta segunda-feira (9), a morte de dois pacientes contaminados pelo coronavírus após um surto no Hospital Nossa Senhora da Conceição, em Porto Alegre. A unidade é uma das maiores da rede pública do Rio Grande do Sul. Ao todo, foram registrados 54 casos de Covid, sendo 15 de funcionários e 39 de pacientes da instituição.
“Eles adquiriram a infecção aqui dentro do hospital. Esses óbitos ocorreram entre pacientes do surto”, diz a coordenadora do Núcleo Hospitalar de Epidemiologia do GHC, Ivana Santos Varella.
Uma das vítimas é uma mulher de 58 anos, residente em Porto Alegre, que morreu na quinta (5). Ela foi internada em 8 de julho com problemas hepáticos e contraiu o coronavírus no dia 22 de julho, já hospitalizada. Segundo o GHC, a paciente tinha tomado a primeira dose da vacina AstraZeneca e aguardava a segunda aplicação.
O outro óbito, ocorrido no domingo (8), é de um homem de 78 anos de idade, morador de Guaíba, na Região Metropolitana. Ele estava vacinado com as duas doses da CoronaVac. O GHC afirma que ele deu entrada na unidade em 7 de julho, com problemas gastrointestinais e outras comorbidades, sendo infectado pelo coronavírus no dia 21.
O que explica mortes por Covid mesmo após a vacina
“As vacinas aprovadas para Covid-19 são eficazes em proteger contra a doença, mas nenhuma vacina é 100% eficaz. O risco de infecção por Sars-CoV-2 em pessoas totalmente vacinadas não é completamente eliminado enquanto houver transmissão contínua do vírus na comunidade”, reforça Denise Garrett, infectologista, ex-integrante do Centro de Controle de Doenças (CDC) do Departamento de Saúde dos EUA e atual vice-presidente do Sabin Vaccine Institute (Washington).
A instituição afirma que as mortes foram comunicadas às autoridades nos prazos estabelecidos, bem como registradas no sistema Sivep-Gripe do Ministério da Saúde.
Surto de Covid
Os servidores contaminados passam bem, conforme o GHC. O estado de saúde dos pacientes é monitorado, sendo que a instituição realiza um mapeamento da condição de cada um.
A suspeita é de que as contaminações tenham sido provocadas pela variante delta do vírus, originada na Índia. Cinco amostras foram enviadas para análise da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro. Os resultados ainda são aguardados.
Em razão do surto, a unidade restringiu visitas e atendimentos na sexta (6). O hospital suspendeu exames ambulatoriais e cirurgias eletivas. Só as oncológicas são feitas neste momento. O setor de emergência deve receber apenas casos encaminhados pelo Samu.
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Variante delta
Em entrevista ao Bom Dia Rio Grande, da RBS TV, nesta segunda, o presidente da Sociedade Riograndense de Infectologia, Alexandre Schwarzbold, explicou que a variante delta do coronavírus tem uma capacidade de transmissão maior do que as demais.
“Nós devemos, sim, estar muito alertas, porque, no momento em que a gente tiver uma circulação na comunidade muito mais alta dessa variante, há uma tendência de aumentar o número de hospitalizações, em especial a população idosa e a população que tem menos defesa e menos resposta imune”, disse.
O especialista ainda comentou que a vacinação em massa, com as duas doses ou a dose única do imunizante Janssen, pode ajudar a conter as mortes por Covid.
“Nós precisamos lembrar que as pessoas não imunizadas ainda têm este alto risco de infeção e, portanto, também eventualmente de hospitalização e morte”, afirmou o médico.
De acordo com Schwarzbold, os sintomas provocados pela variante delta são semelhantes e “até mais leves” do que os de outras cepas do vírus. Entretanto, é preciso estar atento aos sinais.
“Nesta variante, parece que os sintomas são até mais leves no início. Parece aquela síndrome gripal mais simples, como um resfriado. Uma coriza no nariz, uma obstrução nasal, uma dor de garganta. Isso é mais comum no início e, portanto, pode confundir com qualquer outro quadro viral. Deve observar e, pelo menos, estar atento a partir de três ou quatro dias desses sintomas, em especial a população não vacinada ou a população idosa, se não pode ser o próprio vírus”, observou.
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