‘Há uma blindagem em torno da investigação’, diz Marcos Rogério sobre atuação da CPI da Covid-19

O senador Marcos Rogério (DEM-RO), que compõe a base do governo de Jair Bolsonaro na Congresso, analisou a ida de Ciro Nogueira (PP-PI) para a Casa Civil, que afetará diretamente a composição da CPI da Covid-19. O presidente nacional do Progressistas, líder do Centrão no Congresso, será substituído pelo senador Luis Carlos Heinze (PP-RS), seu suplente na comissão, e a vaga de suplente ficará com Flávio Bolsonaro (Patriotas-RJ). Para Marcos Rogério, as mudanças são positivas para o governo. Segundo ele, o perfil de Ciro Nogueira é ideal para ocupar a Casa Civil e a presença de Heinze e de Flávio na CPI pode fortalecer a linha de investigação defendida pela base governista de que Estados e municípios desviaram verbas durante o combate à pandemia do coronavírus. “Eu vejo como uma troca absolutamente normal. O senador Heinze já vinha ocupando esse espaço dentro da CPI. Na ausência do senador Ciro Nogueira, era justamente o Heinze que cumpria esse papel. Agora o Ciro vai cumprir uma tarefa maior, tarefa do papel de articulação”, disse o senador em entrevista ao Jornal da Manhã.

“Acho que pode melhorar sim [o trabalho da Casa Civil]. Até me surpreendeu o fato do Ciro ir para a CPI, porque ele sempre foi o senador de bastidores, de articulação, de entendimento, ele nunca foi do embate. Ele, durante muitos momentos, nos ajudou muito no enfrentamento com o presidente Omar, seja com o relator e outros, mas o papel dele, a característica dele, é mais desse papel de conciliação. De dialogar com as forças mais diversas do Senado”, explicou Marcos Rogério. Durante a entrevista, o parlamentar criticou a atuação da primeira fase da CPI da Covid-19. “O foco ali nunca foi a investigação em si, nunca foi aprofundar a busca de provas e evidências. O embate ali é político-eleitoral. Você tem um relator que desde o primeiro momento atua não para investigar, mas para acusar. É mais um promotor de acusação do que um relator. E toda a oposição com uma linha de ataque muito concentrada no governo federal. Há uma seletividade”, disse Marcos Rogério. “O fato de você ter um relator que tenha vínculos muito diretos com gestores estaduais, já que é pai de um governador que faz parte do consórcio do nordeste, que tem denúncias fortíssimas de corrupção, há uma blindagem em torno da investigação no âmbito dos Estados e municípios”, criticou o senador, que acredita que a vinda de Flávio Bolsonaro pode mudar esse cenário.

“Sobre a vinda do senador Flávio Bolsonaro, que já vinha participando na condição de não-membro, eu não acho que provoque qualquer dificuldade para a investigação, porque não há investigação. Há uma narrativa acusatória por parte do G7. A vinda do senador Flávio contribui no sentido da gente colocar realmente o debate na mesa. Falam muito de corrupção, então vamos aprofundar esse trabalho”, sugeriu. “Até esse momento, tentamos ficar em uma linha de fazer a defesa do governo naquilo que era acusações absurdas, como nesse caso da Davati, que falaram que era um grande esquema de corrupção. Não foi feita uma transferência, nunca houve pagamento, Por tanto, corrupção no governo Bolsonaro não envolve dinheiro público. Acho que cabe agora, àqueles que são da base, primeiro, um levantamento sobre a corrupção no consórcio de governadores nordeste e sobre o que aconteceu no Estado do Pará, no Amazonas, em Santa Catarina, em São Paulo e tantos outros Estados. E, paralelamente a esses recortes factuais, a gente precisa começar a fazer um comparativo. Quando eles falam de corrupção no governo Bolsonaro, não tem um centavo de dinheiro pago. É acusação sem dinheiro desviado. Mas e como foi na gestão do PT?”, defendeu o senador sobre o que ele acredita ser o melhor caminho para a CPI após o recesso.

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