Dólar oscila à espera de decisão da política monetária nos EUA; Ibovespa recua

Os principais indicadores do mercado financeiro brasileiro operam no campo negativo nesta terça-feira, 27, com a expectativa global pelo futuro da política monetária dos Estados Unidos. O Federal Reserve (Fed), o Banco Central dos EUA, pode sinalizar amanhã o início das discussões para a redução da compra de títulos públicos e a alteração da taxa de juros. Na cena doméstica, investidores ainda anlisam a previsão de alta de 7% da Selic já em 2021 com o avanço da inflação. O cenário deixa o dólar sem direção definida, mas mantém a moeda abaixo de R$ 5,20. Por volta das 11h10, o câmbio registrava queda de 0,24%, a R$ 5,162. A divisa chegou a bater a máxima de R$ 5,206, enquanto a mínima não passou de R$ 5,159. A moeda norte-americana encerrou a véspera com queda de 0,70%, cotada a R$ 5,174. Seguindo a baixa nos mercados dos EUA após as fortes altas no início da semana, o Ibovespa, referência da Bolsa de Valores brasileira, operava com queda de 0,89%, aos 124.886 pontos. O pregão de segunda-feira, 26, fechou com alta de 0,76%, aos 126.076 pontos.

Mercados em todo o mundo aguardam pela manifestação do Fed, nesta quarta-feira, após os últimos registros apontarem para a alta da inflação aos consumidores norte-americanos. Apesar do presidente da entidade, Jerome Powell, ter reforçado que a política de estímulos deverá ser mantida ao longo do próximo ano com a compra de títulos públicos e as taxas de juros em níveis mínimos, analistas indicam o possível início de reversão da estratégia. O temor dos investidores é que a retirada de estímulos leve ao crescimento menos robusto da maior economia do mundo e a redução de dólares nos mercados globais. Também no cenário internacional, investidores seguem acompanhando o aumento do número de infecções com a disseminação da variante Delta da Covid-19. Os mercados continuam atentos aos sinais de retomada de medidas de isolamento social com o aumento do número de infecções.

Os juros também estão no centro do debate doméstico. O mercado financeiro passou a ver a Selic a 7% já no fim de 2021, índice que deve ser mantido até o ano que vem, segundo dados do Boletim Focus divulgados nesta segunda-feira. A mediana da pesquisa feita pelo Banco Central também indicou a piora do cenário da inflação neste ano, com a elevação da expectativa para 6,56%, a 16ª semana seguida de revisão para cima. O Comitê de Política Monetária (Copom) volta a se encontrar no início de agosto para debater o futuro da taxa de juros. A recente alta da inflação medida pela prévia do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) levou analistas a especular o avanço de 1 ponto percentual, levando a Selic a 5,25% ao ano, para evitar a contaminação das perspectivas para 2022. No âmbito político, ainda repercute a reforma ministerial anunciada na semana passada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido). O senador Ciro Nogueira (PP-PI) anunciou nesta manhã que aceitou o convite para assumir o Ministério da Casa Civil. Segundo membros do governo, a dança de cadeiras, que resultou no desmembramento do Ministério da Economia para a criação da pasta do Emprego e Previdência, deve dar mais sustentação ao governo no Congresso e influenciar positivamente no andamento das reformas.

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