Construção renova otimismo e prevê alta de 4% em 2021, o maior avanço em 8 anos

A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) renovou o otimismo e voltou a prever alta de 4% no Produto Interno Bruto (PIB) do setor em 2021. A expectativa é a mesma observada no início do ano. Em março, no entanto, a projeção foi reduzida para 2,5% por causa do recrudescimento da pandemia do novo coronavírus e o aumento nos custos dos materiais. Caso se confirme, será o maior avanço desde 2013, quando o setor cresceu 4,5%. A nova projeção faz parte do levantamento Desempenho Econômico da Indústria da Construção do 2º trimestre de 2021, apresentado nesta segunda-feira, 26. A elevação das expectativas é reforçada pelo incremento do financiamento imobiliário, as taxas de juros em patamares reduzidos e a melhora do ambiente econômico. Apesar da revisão para cima, a entidade afirma que o resultado poderia ser ainda melhor se a produção não estivesse sendo limitada pelo desabastecimento de matéria-prima e com o encarecimento de insumos, principalmente o aço. Segundo o presidente da CBIC, José Carlos Martins, o setor teria condições crescer 6% neste ano. “A construção é como uma Ferrari com freio de mão puxado. Poderia ser um ano histórico em termos de crescimento e contratação de trabalhadores. Mas alguns fatores, como o aumento dos insumos, criaram temor nos empresários e acabou que não estamos com a atividade que poderíamos estar.”

A atividade atingiu o nível de 48,6 pontos no segundo trimestre, o melhor desempenho para o período desde 2012. Em junho, o índice atingiu 51 pontos, o maior resultado desde setembro de 2020 e o mais expressivo para o mês desde 2011. O desempenho no mês passado também foi o melhor observado no primeiro semestre do ano e é superior à média histórica do índice. Apesar da trajetória de alta, problemas observados desde o ano passado, quando a crise sanitária trouxe um desbalanço entre a produção de insumos e a demanda, persistem no radar. O levantamento da CBIB mostrou que a falta ou o alto custo de matéria-prima continua sendo o principal problema enfrentado pelos empresários da construção civil pelo quarto trimestre consecutivo, alcançando 55,5% dos pesquisados. A elevada carga tributária aparece na sequência, totalizando 31,5% dos entrevistados. A expectativa do setor continua acima da média histórica, mas menos intensa do registrado anteriormente. A economista da entidade, Ieda Vasconcelos, pontua que, apesar do movimento de alta, o setor ainda acumula queda de 33,34% desde 2014. “Mesmo com o crescimento de 4% em 2021, a retração desse período continuará superior a 30%, o que é bastante expressivo. A construção precisará continuar a crescer mais alguns anos nessa intensidade para que a recuperação total aconteça.”

O bom momento da construção civil também foi evidenciado pelos recordes da Pesquisa do Mercado Imobiliário (PMI), divulgado pelo Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP). O mercado encerrou o primeiro trimestre com 27.114 unidades lançadas, enquanto as vendas fecharam com 29.935 imóveis  comercializados. Os dois registros superam os recordes alcançados no mesmo período de 2019. Os números ficam mais significativos se considerarmos a média histórica dos registros dos primeiros semestres de 2004 a 2020, período em que a média de lançamentos ficou em 12 mil unidades e a de vendas chegou a aproximadamente 13 mil unidades. Apesar dos bons resultados, o aumento do desemprego e a gradual elevação da Selic desafiam o setor. “Some-se a esses fatores o reajuste dos insumos da construção, que elevam a matriz de custos dos empreendimentos, mas que ainda não foram completamente repassados para o preço final dos imóveis, o que será inevitável caso não sejam resolvidos os gargalos”, diz o presidente do Secovi-SP, Basilio Jafet.

Ultimas notícias

spot_img

Veja tambem