Com anúncio de Renda Cidadã, dólar ultrapassa R$ 5,60 e bolsa fecha em queda de 2,41%

O dólar nesta segunda-feira, 28, testou as máximas em quatro meses, em dia que o noticiário local não ajudou e a moeda americana ainda subiu ante divisas emergentes no exterior. A questão fiscal do Brasil voltou aos holofotes quando o governo anunciou na tarde desta segunda-feira, 28, que pretende financiar o Renda Cidadã, o novo programa social do Planalto, com precatórios. Além disso, a sinalização de que ainda não há acordo para aprovar a reforma tributária também causou desconforto. Com isso, o dólar chegou a bater na máxima do dia em R$ 5,67, o maior valor diário desde 21 de maio, quando foi a R$ 5,70. Nesse ambiente de nervosismo, o Banco Central precisou intervir e vendeu US$ 877 milhões no mercado à vista, no primeiro leilão neste segmento desde 21 de agosto.

Assim, o dólar arrefeceu o ritmo de valorização, ajudado também pelo fato de a oferta do BC ter coincidido com perda de fôlego da moeda americana no mercado internacional. No final do dia, o dólar à vista encerrou com valorização de 1,44%, cotado em R$ 5,6353, o maior nível desde o fechamento de 20 de maio. No mercado futuro, o dólar para outubro era negociado em R$ 5,6370 às 17h, em alta de 1,32%. “O dólar teve um comportamento ruim hoje entre os emergentes mais frágeis, mesmo com o dia de busca por ativos de risco em Nova York”, destaca um diretor de tesouraria. Como reflexo, a moeda americana teve as maiores altas do dia ante o real e a lira turca (+1,67%). No mercado doméstico, a situação piorou após a divulgação do plano de uso de precatórios pra financiar o Renda Cidadã, ressalta este executivo. “A noticia foi muito mal recebida pelo mercado em geral.” Segundo o governo, o plano é financiar o programa com o dinheiro reservado no Orçamento para o pagamento de precatórios e com recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), o principal mecanismo de financiamento da educação.

Ibovespa fecha em baixa

O Ibovespa, principal índice da B3, também sentiu o impacto e foi pressionado por retomada dos receios sobre a situação fiscal. Assim, no pior momento do dia, o Ibovespa foi ao menor nível desde 29 de junho e, ao final da sessão, mostrava perda de 2,41%, aos 94.666,37 pontos – menor patamar desde o encerramento de 26 de junho, então aos 93.834,49 pontos. Em NY, os ganhos do dia ficaram entre 1,51% (Dow Jones) e 1,87% (Nasdaq). “Caiu muito mal a falta de acordo na reunião de líderes sobre a reforma tributária. Com reformas necessárias ainda distantes, o que prevalece é o encontro com a verdade, após um avanço prolongado movido basicamente por fluxo doméstico. Ainda sem reformas, fala-se agora no Renda Cidadã, se preciso for até tirando de precatórios. Assim, Bolsonaro volta a se mostrar mais preocupado com a reeleição do que com o ajuste das contas e as reformas”, diz Luiz Roberto Monteiro, operador da mesa institucional da Renascença. “Apesar de toda retórica do Guedes, a agenda econômica está emperrada, houve poucos avanços neste governo.”

*Com informações do Estadão Conteúdo

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