‘Centrão tem sido útil para aprovarmos muita coisa’, diz Bolsonaro

Em entrevista dada à uma rádio paraibana e transmitida nas redes sociais nesta segunda-feira, 26, o presidente Jair Bolsonaro atribuiu a aproximação do governo federal com os partidos de centro à necessidade de governabilidade do país. “Primeiramente, nós temos 513 parlamentares, quase metade em cargos de partidos de centro. Se eu abandonar 200 e poucos parlamentares vão me sobrar aí um pouco menos de 300 votos e eu não tenho como aprovar nada no parlamento, muito menos Propostas de Emendas à Constituição. Então nós temos que nos aproximar do maior número de partidos que possam trazer o apoio para a gente poder governar, poder ter voto dentro do parlamento. O Centrão é o nome pejorativo de vários partidos de centro, têm sido úteis para nós aprovarmos muitas coisas”, afirmou. Bolsonaro deu como exemplo de ajuda dos partidos uma proposta na agenda do governo de reajustar aproximadamente 50% para “acertar a questão do Bolsa Família”. “Se eu não tiver apoio dos partidos de Centro, o Bolsa Família não tem como ser ajustado agora para novembro, dezembro”, calculou.

O mandatário disse que a Casa Civil, pasta para qual o presidente do PP será alocado, “não tem dinheiro na mão” e opera um papel de diálogo com membros do parlamento, função que seria positiva para o senador. Bolsonaro não se esquivou das perguntas sobre as acusações de Ciro Nogueira na Operação Lava Jato e afirmou: “Se eu afastar do meu convívio parlamentares que são réus ou recebem ou têm inquéritos, eu perco quase metade do parlamento”. Ele lembrou que também é réu no Supremo Tribunal Federal e disse que, pela lógica dos que criticam Nogueira, também não deveria estar no cargo de presidente. “Se o Ciro ou qualquer outro ministro for julgado e condenado obviamente se afasta do governo, mas no momento é o que eu tenho para governar em Brasília”, pontuou o presidente.

Ainda sem candidatura à reeleição oficializada para o ano de 2022, Bolsonaro falou que uma série de ministros têm procurado por ele para falar da intenção de disputar cargos para governos estaduais, Senado ou até mesmo para vagas de deputado no próximo pleito, mas destacou que nenhuma dessas conversas foi aprofundada até o momento. Ele também comentou sobre a relação com o vice-presidente, General Hamilton Mourão, a quem considerou como “escolhido de última hora” e disse que candidaturas majoritárias no país considerariam um vice que agregasse mais pessoas, como uma mulher ou algum candidato do Nordeste. “O Mourão faz o seu trabalho, ele tem uma independência muito grande. Por vezes aí atrapalha um pouco a gente, mas um vice é igual a um cunhado, né? Você casa e tem que aturar o cunhado do teu lado, não pode mandar o cunhado embora, então estamos com o Mourão sem grandes problemas mas o cargo de vice é muito importante para angariar simpatias, quer seja em uma candidatura a presidente, governador ou prefeito”, afirmou.

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