Celso de Mello atuou ‘acima de qualquer suspeita’, dizem procuradores e advogados

O ministro Celso de Mello deixa o Supremo Tribunal Federal (STF) apontado por juristas e advogados como equilibrado e fiel à jurisprudência da corte. Com uma piora da saúde nos últimos meses, o magistrado ficou 31 anos no STF e antecipou a aposentadoria de primeiro de novembro para 13 de outubro. Oriundo do Ministério Público (MP), Celso de Mello foi indicado pelo então presidente José Sarney em 1989, assumindo em 17 de agosto daquele ano. Em 2013, em um dos votos mais importantes da carreira, ele aceitou os embargos infringentes no processo do mensalão.

O professor de direito da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Rubens Glezer, diz que o decano sempre esteve acima de qualquer suspeita. Para a procuradora da República Thamea Danelon, o ministro Celso de Mello foi um ferrenho combatente da corrupção. “No caso do mensalão os seus votos foram bem severos com os réus, demonstrando um forte interesse em combater a corrupção e a impunidade”, afirma. Por outro lado, lembra Danelon, em 2019 Celso de Mello foi contra a prisão após condenação em segunda instância. No entender dele, apesar de ressaltar o combate à corrupção, a medida afrontava a Constituição.

Além de elogios de integrantes do Ministério Público, defensores de condenados na Lava Jato reverenciam a postura do magistrado. O advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, Kakay, avalia que a figura de Celso de Mello sempre teve um grande peso no Supremo. “Nos grandes julgamentos, a participação e o voto do ministro foram históricos. Ele pautou uma jurisprudência e medidas importantes para o país”, avalia. Antonio Carlos de Almeida Castro, Kakay, acrescenta que em momentos difíceis na corte, a voz de Celso de Mello era a mais ouvida.

*Com informações do repórter Daniel Lian

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